Vítima espera justiça no julgamento de Ghislaine Maxwell

Por Charlotte Cuthbertson

Jeffrey Epstein a molestou e ela não o delatou a ninguém por 17 anos.

Teresa Helm tinha 22 anos e já havia reconstruído sua vida após ser abusada sexualmente por um parente próximo, aos 8 anos.

“Eu realmente sofri em silêncio”, relatou Helm à revista “Insight” do Epoch Times.

Quando criança, ela contou à mãe sobre o abuso na esperança de que ela faria aquilo parar. Em vez disso, sua mãe afirmou a ela para não contar a ninguém, e isso continuou por 3 anos e meio.

“Eu simplesmente não recebia ajuda, embora continuasse pedindo por ela. E então,após o que aconteceu com Jeffrey, eu sofri em silêncio, como sempre fiz”, declarou.

Em 2002, Helm mudou-se de Ohio para a Califórnia e estava frequentando uma escola de massoterapia, com a certeza de um futuro brilhante. Ficou ainda mais empolgante quando uma colega, um ano à sua frente, a abordou sobre uma oportunidade de emprego de massagista itinerante. Helm estava interessada e foi conectada com outra jovem, a quem ela posteriormente conheceu em Santa Monica para discutir o emprego em potencial.

“Éramos parecidas, tínhamos a mesma idade, então me conectei com ela”, afirmou Helm. “Nunca acreditei que nada do que ela estava me contando não fosse legítimo, ou sequer senti medo”.

Teresa Helm aos 21 anos (Cortesia de Teresa Helm)
Teresa Helm aos 21 anos (Cortesia de Teresa Helm)

Helm afirma que a mulher pintou um quadro fenomenal de como seria a vida como massagista viajante pessoal da “Srta. Maxwell” – jatos particulares, chefs de primeira linha, acesso à melhor educação em todo o mundo.

“Então, eu diria que ela fez seu trabalho muito bem. Porque em mais ou menos uma hora andando pelo calçadão, eu pensei, ‘Uau. Isso é realmente ótimo. Tenho muita sorte, é para ser assim’”.

Querendo agarrar a incrível oportunidade, Helm afirmou à mulher que estava interessada e foi informada de que ela precisava voar para a cidade de Nova Iorque e encontrar Maxwell para a entrevista final.

Após duas semanas, a viagem de Helm para a cidade de Nova Iorque havia sido arranjada – voos, motorista, um apartamento no Upper East Side para ficar, uma cesta de presentes esperando.

“Vou me encontrar com a Srta. Maxwell. Eu esperava fazer uma massagem porque era a isso que a entrevista se referia. E tudo com Ghislaine Maxwell era legítimo e agradável, e ela era muito educada. A casa dela era deslumbrante”, relatou Helm.

“Fiquei muito impressionada com ela porque ela é uma mulher muito falante, e ela é claramente bem-sucedida por causa de sua bela casa, e ela tinha fotos na parede do ex-presidente Bill Clinton. E eu fiquei pensando: ‘Nossa, ela é realmente especial, ela trabalhou muito. Ela conquistou muito na vida’”.

Helm passou algumas horas em casa antes de Maxwell relatar que ela iria se encontrar com o seu parceiro, Jeffrey.

Foi a primeira vez que Helm ouviu falar de um parceiro, mas nada indicava que ela deveria se sentir alarmada ou que estava sob qualquer tipo de perigo. Qualquer sinal de alerta, ela percebeu em retrospectiva, tinha sido facilmente normalizado e explicado.

Mesmo quando Maxwell afirmou a ela para “dar a Jeffrey tudo o que ele quiser” durante a massagem, porque ele “sempre consegue o que quer”, Helm pensou que Maxwell claramente queria dizer: “Faça um bom trabalho, porque ele recebeu muitas massagens profissionais”.

“Devido à minha confiança [em Maxwell] – ela foi capaz de criar esse vínculo de confiança dentro de mim em questão de horas – eu literalmente me aproximei do homem da casa que iria me agredir”, relatou Helm.

“Eu fui levada àquele lugar, porque aquelas três mulheres fizeram seu trabalho perfeitamente bem e eu não desconfiei de nada. Quando eu olho para trás e vejo o fato de que três mulheres armaram para eu ser agredida, é simplesmente nojento. É um nível diferente de traição.”

Helm afirma que Epstein a agrediu sexualmente em seu escritório durante a entrevista e a ameaçou enquanto ela corria para fora de casa, com seu mundo tremendo e a cabeça girando.

Chocada profundamente e cheia de vergonha, Helm voltou para a Califórnia no dia seguinte.

(Foto e ilustração do Epoch Times)
(Foto e ilustração do Epoch Times)

“A vergonha foi avassaladora, foi paralisante”, lembrou ela. “Eu estava com muita vergonha para relatar qualquer coisa.”

Sua vida desmoronou e após três meses ela rescindiu o contrato de aluguel, largou a escola e voltou para Ohio.

Nos cinco anos seguintes, Helm caiu em um padrão destrutivo. Mas, poucas semanas antes de seu aniversário de 28 anos, ela descobriu que estava grávida e a vida mudou novamente – desta vez em uma direção positiva.

“Isso é o que realmente salvou e mudou a minha vida”, afirmou ela. “Foi a primeira vez em que realmente me valorizei. Era como um senso de propósito. Sabendo que protegeria meu filho da maneira que nunca fui protegida”.

“Então, após tê-lo, fiquei muito honrada em ser sua mãe. E então realmente veio à tona, foi como, basicamente um ódio pela minha mãe e Jeffrey. Aquele primeiro ano de vida do meu filho foi de muito processamento emocional para mim. E eu só queria me afastar do mundo e ser apenas uma mãe. E foi isso que eu fiz.”

O filho de Helm acaba de fazer 14 anos e ela também tem uma filha de 7 anos. Ela cuida de ambos em tempo integral.

‘O mundo mudou’

Helm, que havia se mudado para a Flórida, estava dobrando roupas em uma noite de quinta-feira, em julho de 2019, quando entrou na Internet e viu uma manchete sobre Epstein após ele ser preso por tráfico sexual. Ela clicou no link para abrir o artigo e ficou cara a cara com seu agressor. Naquele instante, ela percebeu que “Jeffrey” era Epstein.

Atordoada, ela se sentou e pesquisou no Google, Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein.

“Foi uma mudança de vida, apenas naquele momento. Foi como uma me traumatizar novamente, nº 1. nº 2, foi como se o mundo mudasse e mudasse tudo de novo. Tem sido diferente desde aquele momento, como se o mundo tivesse mudado mais uma vez naquele momento e não tivesse voltado. Nem irá”, declarou Helm.

“Porque eu não sabia que havia outras pessoas. Eu não sabia que isso era algo enorme com essas pessoas.”

No dia seguinte, após uma aula regular de ioga, Helm sentou-se em seu carro e soluçou enquanto as emoções cresciam. Ela decidiu que era hora de quebrar o silêncio.

A oportunidade de falar se apresentou rapidamente.

Epstein foi encontrado morto em sua cela no Metropolitan Correctional Center em 10 de agosto de 2019, um mês após sua prisão. Um médico legista considerou suicídio por enforcamento após nove dias.

O juiz de Nova Iorque, Richard Berman, seria forçado a rejeitar as acusações contra Epstein – que incluíam o tráfico sexual de dezenas de menores desde 1995 – mas não antes de permitir que as sobreviventes falassem.

Vinte e três mulheres falaram no tribunal em 27 de agosto sobre terem sido abusadas sexualmente por Epstein, pessoalmente ou através de um advogado.

“Estou avançando porque é hora de trazer luz às trevas e de substituir essa escuridão pela luz”, afirmou Helm naquele dia. Ela havia decidido apenas naquela manhã falar e usar seu nome publicamente.

Outra sobrevivente, “Jane Doe 9”, afirmou que tinha 15 anos quando encontrou Epstein, em 2004.

“Eu voei no avião de Jeffrey Epstein para o Rancho Zorro, onde fui molestada sexualmente por ele por muitas horas”,  relatou ela através de um advogado. “O que me lembro mais vividamente foi ele me explicando como a experiência foi benéfica para mim e o quanto ele estava me ajudando a crescer. Caramba”.

O Rancho Zorro de Epstein fica no Novo México. Ele também possuía propriedades multimilionárias em Nova Iorque, Flórida e França, e suas próprias ilhas no Caribe, Little St. James Island e Great St. James Island. Epstein tem sido associado a um verdadeiro quem é quem do mundo da moda e da política.

Advogada Gloria Allred (direita) e sua cliente, Teala Davies, que afirma ter sido vítima de abuso sexual por Jeffrey Epstein quando era menor, em uma entrevista coletiva para anunciar um processo contra o espólio de Epstein, em Nova Iorque, em 21 de novembro de 2019 (TIMOTHY A. CLARY / AFP via Getty Images)
Advogada Gloria Allred (direita) e sua cliente, Teala Davies, que afirma ter sido vítima de abuso sexual por Jeffrey Epstein quando era menor, em uma entrevista coletiva para anunciar um processo contra o espólio de Epstein, em Nova Iorque, em 21 de novembro de 2019 (TIMOTHY A. CLARY / AFP via Getty Images)

Chauntae Davies também falou no tribunal.

Ela afirma que foi recrutada por Maxwell enquanto fazia um treinamento em massagem.

“Após encontrá-la pela primeira vez, só viria a saber que havia sido recrutada após muitos anos, quando vim a ler em uma mensagem”, relatou Davies.

Ela afirma que Maxwell e Epstein a acolheram, a mandaram para a escola e deram-lhe um emprego.

“Eles me levaram ao redor do mundo, me apresentaram a um mundo com o qual eu havia apenas sonhado e me fizeram sentir como se tivesse me tornado parte de sua família – outra coisa que eu estava procurando desesperadamente”, declarou Davies.

“Mas na terceira ou quarta vez que os encontrei, eles me levaram à ilha de Jeffrey pela primeira vez.”

Davies afirma que uma batida em sua porta tarde da noite indicou que Epstein estava pronto para outra massagem, então ela foi hesitante para sua casa de campo.

Quando Epstein começou a atacá-la, Davies relata que lhe disse: “Não, por favor, pare”.

“Mas isso parecia excitá-lo ainda mais. Ele continuou a me estuprar e, quando terminou, saltou e foi para o chuveiro.”

Davies afirma que ela saiu correndo da casa de campo, chorou até dormir e passou duas semanas em um hospital de Los Angeles vomitando devido a um distúrbio neurológico que se manifesta em violentos ataques de vômito, em grande parte desencadeados pelo estresse.

“O abuso de Jeffrey continuaria pelos próximos três anos, e eu permiti que continuasse porque tinha sido tirado proveito de toda a minha vida e fui condicionada a simplesmente aceitá-lo.”

Manifestante segura uma placa de Jeffrey Epstein em frente ao tribunal federal na cidade de Nova Iorque, em 8 de julho de 2019 (Stephanie Keith / Getty Images)
Manifestante segura uma placa de Jeffrey Epstein em frente ao tribunal federal na cidade de Nova Iorque, em 8 de julho de 2019 (Stephanie Keith / Getty Images)

Maxwell em julgamento

Helm finalmente quebrou seu silêncio, o que foi um divisor de águas.

Ela não conseguiu ver Epstein enfrentar suas acusações, mas está ansiosa para estar no tribunal para ver Maxwell enfrentar as dela.

Os agentes do FBI prenderam Maxwell em sua propriedade em New Hampshire no dia 2 de julho de 2020. Ela está em uma prisão no Brooklyn desde então. A fiança foi negada várias vezes, com a juíza Alison Nathan decidindo que ela representa um risco de fuga. O julgamento foi originalmente marcado para julho, mas foi adiado até 29 de novembro e deve durar seis semanas. A seleção do júri começou em 16 de novembro.

Maxwell é acusada de tráfico sexual de crianças, perjúrio e sedução de menores enquanto era associada de Epstein, de acordo com uma acusação substitutiva apresentada no Distrito Sul de Nova Iorque, em 29 de março.

“Em particular, a partir de, ou cerca de 1994, até e incluindo pelo menos 2004, Maxwell ajudou, facilitou e contribuiu para o abuso de Jeffrey Epstein de meninas menores, entre outras coisas, ajudando Epstein a recrutar, preparar e no final das contas, abusar sexualmente de vítimas encontradas por Maxwell e Epstein, menores de 18 anos”, alega a acusação.

“Além disso, em um esforço para ocultar seus crimes, Maxwell mentiu repetidamente quando questionada sobre sua conduta, inclusive em relação a algumas das vítimas menores aqui descritas, ao prestar depoimento sob juramento em 2016.”

Virginia Giuffre (ex-Virginia Roberts), uma das acusadoras mais conhecidas de Epstein, afirmou em um depoimento de 2016, que foi dirigida por Maxwell para realizar atividades sexuais com uma série de homens ricos e poderosos, incluindo “presidentes estrangeiros”, um “bem- conhecido” primeiro-ministro e “outros líderes mundiais”.

Nenhum dos homens que Giuffre cita nos documentos foi acusado e todos negaram as acusações.

Um oficial do tribunal está do lado de fora de um tribunal de Manhattan, onde a mídia se reuniu para a audiência de acusação de Ghislaine Maxwell na cidade de Nova Iorque, em 14 de julho de 2020 (Spencer Platt / Getty Images)
Um oficial do tribunal está do lado de fora de um tribunal de Manhattan, onde a mídia se reuniu para a audiência de acusação de Ghislaine Maxwell na cidade de Nova Iorque, em 14 de julho de 2020 (Spencer Platt / Getty Images)

Maxwell, muitas vezes descrita como uma socialite britânica, mantém sua inocência em todas as acusações e, em um depoimento de 2016, alegou que ela não tinha ideia de que Epstein abusava de meninas menores.

Durante o depoimento, Maxwell foi questionada: “Jeffrey Epstein tinha um esquema para recrutar meninas menores de idade para massagens sexuais? Se você souber.”

Ela respondeu: “Não sei do que você está falando”, segundo a transcrição. “Nunca vi nenhuma atividade inadequada de menores com Jeffrey”.

Maxwell reconheceu que o ex-presidente Bill Clinton viajou no avião de Epstein, mas negou ter apresentado o príncipe Andrew da Grã-Bretanha a parceiras sexuais menores de idade.

“Estou pronta para o início deste teste”, afirma Helm. “Eu realmente pretendo estar lá e olhar para ela bem na cara dela, e igualmente importante é que ela me veja”.

Helm não foi citada na acusação e não testemunhará, mas isso não importa.

“Tenho esperança de que haja justiça nisso, que ela finalmente será responsabilizada e finalmente condenada por crimes que cometeu e pelas vidas que ela voluntariamente interferiu e arruinou. Essa é uma mulher que mudou toda a trajetória da minha vida e não para melhor.”

Helm afirma que espera que Maxwell seja considerada culpada de todas as acusações e receba as penas máximas.

“Não acho por um momento que ela mereça estar do lado de fora de uma cela de prisão”, declarou .

“Eu e outras meninas, estamos do lado de fora dessas barras, e ainda não recuperamos totalmente a nossa liberdade de volta. Espero que ela receba a sentença máxima. Ela não merece menos do que isso.”

Helm afirma que muitas vezes lhe perguntam se ela acha que a morte de Epstein significa que Maxwell é agora um bode expiatório e está sendo punida por seus crimes.

“Não, eu não. Ela sabia o que ela estava fazendo. Ela não pensou duas vezes antes de fazer isso. Ela fez isso inúmeras vezes. Ela fez isso … com muito sucesso, com muito sucesso”, afirma ela.

“Você não ajuda a facilitar, administrar e orquestrar uma das maiores redes de tráfico sexual deste globo, desta terra, sem saber o que está fazendo e sen intencionalmente o estar fazendo.”

Uma visão externa do Metropolitan Detention Center na cidade de Nova Iorque, em 14 de julho de 2020 (Arturo Holmes / Getty Images)
Uma visão externa do Metropolitan Detention Center na cidade de Nova Iorque, em 14 de julho de 2020 (Arturo Holmes / Getty Images)

A acusação alega que Maxwell fez amizade com algumas das vítimas menores de Epstein antes de seu abuso, inclusive perguntando às vítimas sobre suas vidas, suas escolas e suas famílias. Outras vezes, Maxwell e Epstein levavam a vítima às compras ou ao cinema, ou pagavam despesas de viagem ou educação.

“Tendo desenvolvido um relacionamento com a vítima, Maxwell tentaria normalizar o abuso sexual para uma vítima menor, entre outras coisas, discutindo tópicos sexuais, despindo-se na frente da vítima, estarndo presente quando uma vítima menor era despida e / ou estando presente nos atos sexuais envolvendo a vítima menor e Epstein”, afirma o documento do tribunal.

A acusação prossegue afirmando que, a fim de “manter e aumentar seu suprimento de vítimas”, Epstein, Maxwell e outros funcionários de Epstein também pagaram a certas vítimas para recrutar outras meninas para serem abusadas de forma semelhante por Epstein.

Helm afirma que tentou entender o que faria com que uma mulher como Ghislaine tramasse intencionalmente para que meninas ficassem para sempre traumatizadas. Ela afirma que leu como Ghislaine perdeu o pai, de quem era muito próxima, e conheceu Epstein após não muito tempo.

Helm declara que perdeu o próprio pai inesperadamente há quase sete anos.

“Ainda hoje sinto uma falta incrível dele e não estou por aí machucando as pessoas”, afirmou. “Não há queixa, ou não há tragédia que justifique você virar literalmente um monstro”.

Os advogados de Maxwell não responderam a um pedido de comentário pela Insight.

Epstein evitou acusações criminais por anos, levantando questões sobre ser protegido pelos ricos e poderosos. Em setembro de 2007, ele assinou um acordo de não-processo que lhe deu imunidade contra o processo por vários crimes sexuais federais no Distrito Sul da Flórida.

Como parte do acordo, em 2008, Epstein acabou se confessando culpado de acusações estaduais quanto a aquisição de uma menor para prostituição e foi registrado como criminoso sexual. Ele passou 13 meses na prisão, mas foi liberado para trabalhar 12 horas por dia, seis dias por semana.

O processo 

Preparação e recrutamento são etapas críticas na indústria do tráfico sexual.

“Se você não tem um processo de preparação bem-sucedido, o abuso não ocorre, porque isso simplesmente não vai tão longe”, afirma Helm.

Jennifer Hill, diretora executiva assistente do Children’s Assessment Center em Houston, declara que sua organização atende 5.000 crianças por ano que foram abusadas sexualmente, tanto por membros da família quanto através do tráfico.

E essas são apenas as crianças que falaram. “Eu acho que a maioria das pessoas nunca, nunca fala. E isso é trágico”, declarou ela.

Hill afirma que é difícil discernir quantas crianças não denunciam abuso, mas as estatísticas mostram que 1 em cada 4 meninas e 1 em cada 6 meninos serão abusados ​​sexualmente antes dos 18 anos.

Eventos comuns – divórcio dos pais, separação, bullying, ou a morte de um membro da família – podem tornar uma criança vulnerável. Muitas crianças traficadas vêm do sistema de assistência social. Mas o abuso sexual é a fonte mais comum de vulnerabilidade para crianças traficadas por sexo – 70 a 90 por cento dessas crianças têm um histórico de abuso sexual, de acordo com a organização anti-tráfico Path2Freedom.

Hill relata que o processo de preparação e recrutamento assume diferentes formas, mas envolve obter acesso à vítima pretendida e ganhar sua confiança para que, eventualmente, estejam dispostos a ouvi-la, e essa pessoa tenha algum controle sobre seu comportamento.

Para as crianças, pode incluir comprar presentes, ouvir seus problemas ou ajudá-las de alguma forma. Hoje em dia, muitas das preparações ocorrem online mediante o uso de aplicativos de mensagens ou mídias sociais e plataformas de jogos. Após o abuso, as crianças podem ser ameaçadas para manterem o silêncio.

Hill afirma que espera que o julgamento de Maxwell estimule outras vítimas de tráfico e abuso sexual a se apresentarem. Como ex-promotora de casos de abuso sexual infantil, ela relata que muitos abusadores são professores ou adultos de confiança na comunidade, o que pode ser intimidante para as vítimas.

Sua organização realiza treinamentos de conscientização para policiais, profissionais médicos, profissionais de saúde mental, professores e a comunidade sobre como reconhecer e denunciar o tráfico.

Helm afirma que muitas lições podem ser tiradas do caso Maxwell, “como o fato de que pode ser uma mulher”.

“Aquela mulher me preparou precisamente bem, maravilhosamente. E esse processo de preparação é tão crucial para os pais identificarem que é isso que está acontecendo com seus filhos. Ou que uma criança pense que isso pode estar acontecendo consigo. Porque esse processo de preparação é uma transferência de poder [e] um guardião para o abuso.”

Durante 2019, a linha direta Nacional de Tráfico de Pessoas recebeu denúncias de 11.500 casos de tráfico de pessoas, representando mais de 22.000 vítimas. Califórnia, Texas e Flórida são identificados como os três piores estados para o tráfico humano. Só no Texas, mais de 79.000 crianças estão sendo traficadas para fins sexuais, de acordo com um estudo da Universidade do Texas, em Austin.

“Não existe um único código postal neste país, nenhum que esteja isento de tráfico”, afirma Helm.

“Acontece nos mais ricos entre os mais ricos, nos mais pobres e em todo o restante. Isso explodiu pela internet.”

Residência pertencente a Jeffrey Epstein na East 71st St. no Upper East Side de Manhattan na cidade de Nova Iorque, em 8 de julho de 2019 (Kevin Hagen / Getty Images)
Residência pertencente a Jeffrey Epstein na East 71st St. no Upper East Side de Manhattan na cidade de Nova Iorque, em 8 de julho de 2019 (Kevin Hagen / Getty Images)

A ameaça online

Cinquenta e cinco por cento dos sobreviventes de tráfico sexual doméstico que entraram nesta situação em 2015 ou conheceram posteriormente seu traficante pela primeira vez, foi mediante ao uso de um aplicativo móvel, site ou texto, afirma Tammy Toney-Butler, uma consultora de combate ao tráfico de pessoas da Path2Freedom.

Os predadores sexuais aumentaram sua atração de menores e a publicação de material de abuso sexual infantil enquanto as escolas fechavam e as crianças trabalhavam online de casa, em resposta à pandemia da COVID-19, de acordo com o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC).

O número de relatórios de materiais de abuso sexual infantil online relatados ao NCMEC durante os primeiros seis meses de 2020 aumentou 90 por cento para mais de 12 milhões, o centro informou. Relatos de predadores atraindo menores aumentaram 93%, para mais de 13.200.

O Facebook foi usado para a maior parte (59 por cento) do recrutamento online em casos de tráfico sexual ativo em 2020, de acordo com o relatório anual de tráfico do Human Trafficking Institute.

Isso torna o Facebook “de longe o site ou aplicativo mais citado em fontes públicas relacionadas a esses processos, o que também era verdade em 2019”, constatou o relatório.

Em junho, a Suprema Corte do Texas decidiu que o Facebook poderia ser responsabilizado se traficantes sexuais usassem a plataforma para atacar crianças, argumentando que o site de mídia social não é uma “terra de ninguém, sem leis”.

A decisão foi tomada após três processos na área de Houston envolvendo adolescentes vítimas de tráfico que alegaram terem conhecido seus agressores por meio do serviço de mensagens do Facebook. Os promotores também afirmam que o Facebook foi negligente ao não fazer mais para impedir que os traficantes usassem o site.

O tribunal afirma que as vítimas podem prosseguir com seus processos contra o Facebook. Eles alegaram que a empresa violou o Código de Práticas e Tratamentos Civis do Texas, aprovado em 2009.

Toney-Butler declara que a renda que os traficantes podem adquirir com uma vítima pode chegar a US $400.000 por ano, e as sobreviventes relataram serem forçadas a realizar atividades sexuais mais de 20 vezes por dia enquanto em gravidez de seis a sete meses. E quando uma mulher tem mais de 18 anos, ela costuma ser vista pela sociedade como “uma prostituta viciada em drogas”, em vez de uma vítima de tráfico sexual, declarou ela.

Uma criança, após ser puxada para o tráfico sexual, “vive apenas sete anos antes de sucumbir ao ambiente”, afirmou Toney-Butler. Suicídio, overdose por drogas e violência costumam ser os assassinos.

Teresa Helm (direita) com três outras sobreviventes do tráfico sexual, (esquerda para direita) Cathy Hoffman, Sabrina Lopez e Nissi Hamilton, em Houston, no dia 24 de abril (Kathleen O. Ryan)
Teresa Helm (direita) com três outras sobreviventes do tráfico sexual, (esquerda para direita) Cathy Hoffman, Sabrina Lopez e Nissi Hamilton, em Houston, no dia 24 de abril (Kathleen O. Ryan)

O futuro 

Agora aos 41 anos de idade, Helm está esperançosa. Além de cuidar dos filhos, ela é uma forte defensora e mentora de outros sobreviventes e consultora de organizações e políticos para garantir que as leis e programas sejam centrados nas vítimas.

“Ajudar os outros é a recompensa final. Eu não quebrei completamente para sempre. Eu estive quebrada e me consertei mais forte”, declarou ela.

Ela se referiu à antiga forma de arte japonesa chamada kintsukuroi, ou “reparar com ouro”, que é a prática de consertar cerâmicas quebradas com ouro, tornando-as mais fortes e bonitas do que antes.

“E eu definitivamente me vejo assim, no fato de que eu posso virar e alavancar essa dor em um propósito e ajudar os outros – isso é o que há de melhor para mim, ser capaz de ser forte o suficiente para sair e ajudar os outros, ajude-os a mudar suas vidas, ajude-os a recuperar suas vidas e a recuperar seu poder.”

Para obter ajuda

A National Human Trafficking Hotline é confidencial, gratuita e está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, em mais de 200 idiomas.

Ligue: 1-888-373-7888

Texto: “Help” ou “Info” para 233733

Chat: humantraffickinghotline.org

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