Vítima do Agente Laranja na Guerra do Vietnã recupera saúde de forma inesperada

Por Nguyen Van Bai

Eu era um soldado na guerra do Vietnã. Embora eu tenha sobrevivido enquanto muitos de meus companheiros soldados pereceram, a guerra me deixou marcado e com sequelas de longo prazo que afetariam muito minha vida mais tarde. Esta é a história de como eu consegui saúde e felicidade depois de uma vida difícil de infortúnios e de doenças debilitantes devido aos estragos da guerra.

A guerra química e o Agente Laranja

Em 1973, aos 18 anos, entrei para a infantaria e lutei pelo meu país. Nos três anos seguintes, lutei em inúmeras batalhas. Uma vez, fui atingido por um soldado inimigo. Havia também a constante ameaça da malária e dos mosquitos venenosos.

Por vários anos, quase 20 milhões de galões de vários produtos químicos e herbicidas foram pulverizados em todo o Vietnã como parte de um programa de guerra química. Entre eles, o mais mortífero era o Agente Laranja. Conhecido por seu impacto ambiental prejudicial, o Agente Laranja — que contém a altamente tóxica dioxina química — também causou grandes problemas de saúde para aqueles expostos a ele. Deixou muitos soldados e civis arrasados por doenças e problemas de saúde.

Para minha infelicidade eu acabei compartilhando o destino deles.

Durante uma batalha no Western Truong Son, meu pelotão marchou através de uma floresta quimicamente destruída onde condições sufocantes nos forçaram a beber água contaminada com o Agente Laranja.

Essa exposição afetou minha vida mais tarde quando deixei de ser soldado e voltei a ser um civil. Em vez de deixar o campo de batalha para trás, o dano químico que sofri me acompanhou por anos, enquanto doenças me atormentavam uma após a outra, deixando-me sem esperança e com dores crônicas.

Uma vida civil difícil

Após cinco anos de intensos combates, voltei para minha cidade natal como soldado condecorado.

Eu tinha apenas 23 anos na época, mas me sentia muito mais velho. A guerra havia afetado enormemente meu país e seu povo. Eu não fui o único a sentir os efeitos da brutal luta. Eu sabia que tinha sorte por não ter morrido ou ter meu corpo perfurado por estilhaços.

Eu tinha me sacrificado tanto e estava ansioso para ser um civil de novo para que pudesse ter uma família e viver uma vida normal.

Eu decidi voltar para a escola e aprender a fabricação de máquinas. Eu era um estudante promissor e fui indicado para o cargo de presidente da classe, onde ganhei a oportunidade de fazer o exame elétrico. Eu estava determinado a construir uma boa vida para mim, mas foi neste momento que meus problemas de saúde começaram a surgir, alterando minha esperança por uma vida normal.

Como nosso país foi reconstruído, os suprimentos de comida eram muito escassos e as cotas eram poucas. Por longos períodos de tempo, meus colegas e eu tivemos que sobreviver de sementes de bobo (Paniculata de hortênsia), uma pobre fonte de nutrição. Como resultado de nunca ter o suficiente para comer, meu corpo já frágil desenvolveu colite, síndrome do intestino irritável, constipação crônica e hemorroidas. Eu não conseguia me sentar e tinha que comer e estudar em pé.

Fui então diagnosticado com hidradenoma, uma condição da pele relacionada à exposição do Agente Laranja que me deixou muito desconfortável.

Em uma reviravolta inesperada, minha tese de formatura foi rejeitada, embora eu fosse um excelente aluno. Descobri mais tarde que fui vítima de manobras políticas por parte de dois dos meus professores. Por causa disso, não consegui me formar.

Deprimido e trapaceado, saí da escola e arrumei um emprego. Em 1984, me casei e, por um raro golpe de sorte, meus filhos foram poupados de qualquer sintoma de complicações do Agente Laranja, algo que muitos dos filhos de meus colegas soldados tiveram. Eu continuei a trabalhar em um emprego braçal e depois de 20 anos me aposentei, mas minhas magras economias deixaram eu e minha família com renda insuficiente para sobreviver.

Um ano depois da minha aposentadoria, a política do governo mudou, dando aos aposentados uma renda mensal. No entanto, devido à má sorte que continuou a atormentar-me, não recebi nenhum desses benefícios. Deixado sem escolha, eu novamente me juntei à força de trabalho, desta vez iniciando uma carreira como engenheiro mecânico.

O autor voltou à força de trabalho após sua aposentadoria (NTDTV)
O autor voltou ao mercado de trabalho após sua aposentadoria (NTD.tv)

Como forma de complementar minha renda, decidi produzir e processar chá preto para exportação. Depois de investir pesadamente em um mercado que tinha uma grande chance de sucesso, meu sonho foi por água abaixo. A guerra estourou no Oriente Médio, tornando impossível vender chá para o mercado externo. Meu negócio faliu.

Mudança para pior

Até este ponto, apesar dos efeitos para a saúde devido à exposição ao Agente Laranja, eu fui capaz de contribuir para a sociedade e viver uma vida relativamente normal. Mas agora as coisas pioraram e os efeitos latentes da exposição começaram a aparecer.

Eu desenvolvi poliartrite e neurodinia (dor no nervo ciático). Minhas articulações estavam tão doloridas e inchadas que eu tive que sair do meu trabalho. Eu nem conseguia levantar as mãos ou virar a cabeça e tinha muita dificuldade em me levantar da cama. Meu corpo parecia que estava defalecendo e eu não sabia quais outros sintomas estariam por vir quando o Agente Laranja cobrasse sua conta.

Como forma de complementar sua renda, Nguyen Van Bai decidiu produzir e processar chá preto para exportação (NTDTV)
Como forma de complementar sua renda, Nguyen Van Bai decidiu produzir e processar chá preto para exportação (NTD.tv)

Meus médicos prescreveram uma medicação para a dor, mas o remédio causava graves problemas estomacais devido à minha colite. Outros medicamentos me deixavam com muita náusea. Nesta época eu desenvolvi uma infecção respiratória crônica que me mantinha acordado. Além disso, minha visão ficou embaçada pela conjuntivite crônica e também desenvolvi dermatite.

A partir daqui, as coisas só pioraram.

No trabalho, sofri um acidente onde um grande cano de ferro caiu sobre minha cabeça, resultando em um ataque convulsivo. A partir de então, tive convulsões regulares, onde eu me contorcia e espumava pela boca. Eu também contraí Hepatite B para a qual eu tive que tomar medicação extremamente cara. Eu tentei continuar com o remédio por um período de tempo, mas como não consegui ver nenhuma melhora, parei de tomá-lo.

A essa altura, eu havia desenvolvido um pequeno tumor no fígado. Eu também sofria de psoríase grave e minha pele irrompeu em lesões que cobriam todo o meu corpo. Elas estavam coçando e eram doloridas, não havendo cura. O único tratamento foi ter as lesões queimadas com laser.

O ex-sodado vietnamida, Nguyen Van Bai, tentou tratamentos baseados na medicina chinesa na busca de algum alívio para seu sofrimento (NTDTV)
O ex-soldado vietnamita, Nguyen Van Bai, tentou tratamentos baseados na medicina chinesa na busca de algum alívio para seu sofrimento (NTD.tv)

Desesperado, recorri à medicina chinesa e, apesar de sentir algum alívio em relação aos meus sintomas, fiquei tudo menos saudável. O ritual de medicina chinesa ocorria diariamente e os tratamentos eram longos e trabalhosos.

Eu fui de esperançoso a desesperado para desamparado cada vez que um novo tratamento falhava. Parecia que não havia médico ou remédio que pudesse me curar. Minhas doenças eram muitas e minha saúde parecia danificada e irremediável. Perdi toda a esperança de estar bem ou de me sentir bem. Depois de tantos anos de luta e dor sem nenhum alívio à vista, senti que minha vida não valia a pena.

Um milagre apareceu

Como eu tinha tempo livre, ia todos os dias a um parque próximo, onde observava um velho praticando exercícios de qigong. Copiei seus movimentos na esperança de que, por alguma chance mágica, esses exercícios melhorassem minha saúde.

Eles não tiveram efeito até que um dia vi o velho praticando algo bem diferente. Ele estava sentado em silêncio no chão, com as pernas cruzadas uma em cima da outra. Quando perguntei a ele sobre isso, ele me disse que esse exercício era o mais poderoso. Ele disse que era parte de uma prática especial chamada Falun Dafa, uma antiga disciplina espiritual chinesa, e que eu me beneficiaria aprendendo e praticando.

Havia algo único sobre esse velho e a energia do grupo de pessoas com ele no parque, então decidi tentar. Eu certamente não tinha nada a perder. Eles me mostraram os cinco exercícios — quatro em pé e um sentado — e comecei a praticar.

O ex-soldado vietnamita, Nguyen Van Bai, em meditação com outros praticantes de Falun Dafa no Vietnã (NTDTV)
O ex-soldado vietnamita, Nguyen Van Bai, em meditação com outros praticantes do Falun Dafa no Vietnã (NTD.tv)

Eu fiz os exercícios do Falun Dafa todos os dias a partir de então, embora alguns deles fossem dolorosos e difíceis de realizar devido à minha artrite e problemas nas articulações.

Além dos exercícios, a prática enfatiza o cultivo do caráter e a assimilação à verdade, à compaixão e à tolerância, uma filosofia delineada no Zhuan Falun, o principal livro do Falun Dafa. Estudei o livro e segui os princípios em meus pensamentos e ações. Comecei a abandonar meus muitos apegos negativos e me esforcei para ser uma boa pessoa, cultivando minha mente de acordo com os ensinamentos.

Embora os exercícios tenham sido difíceis no início, eu perseverei e em seis meses muitas das minhas doenças começaram a desaparecer. Eu não pude acreditar no começo porque pensei que nunca encontraria alívio. Eu pensei que era meu destino ficar doente pelo resto da minha vida.

Lágrimas de gratidão caem dos meus olhos quando penso nisso agora. Minha epilepsia, colite, infecções respiratórias e artrite desapareceram. Agora eu posso comer e beber o que quiser. O tumor no meu fígado encolheu a ponto de os médicos mal conseguirem encontrá-lo.

O maior milagre ocorreu quando minha psoríase e infecções de pele desapareceram quase completamente. Eu posso me expor na rua sem camisa agora, algo que eu nunca poderia ter imaginado antes.

Nguyen Van Bai agora pode sair na rua sem camisa, algo que não poderia fazer antes diante de tantas doenças de pele (NTDTV)
Nguyen Van Bai agora pode sair na rua sem camisa, algo que não podia fazer antes devido a tantas doenças de pele (NTD.tv)

Lembro-me de quando estava limpando a casa para o Ano Novo, me deparei com meu antigo armário de remédios, cheio de remédios e ervas. Eles estavam todos cobertos com uma camada de poeira. Foi um momento incrível poder jogar todos esses remédios longe, sabendo que nunca precisaria deles novamente.

Grato por uma segunda chance na vida

Eu não tive uma vida fácil, mas agora encontrei a paz de espírito, um tesouro que vale mais do que qualquer coisa. Eu faço reparos em eletrodomésticos para ganhar algum dinheiro extra e trabalho cuidando de soldados feridos. Minha dieta é simples, mas meu corpo é forte.

Eu até me apresentei como organista na Veteran Arts Association — Associação de Artes dos Veteranos — , algo que a minha saúde precária anteriormente me proibira de fazer. Quando eu toco algumas das músicas escritas pelos praticantes do Falun Dafa, meus olhos se enchem de gratidão. A prática me tirou de uma vida de doença, sofrimento e miséria e me deu uma segunda chance. Poucas pessoas têm essa oportunidade e eu ainda mal posso acreditar nos muitos milagres que experimentei através dessa poderosa prática.

Hoje, finalmente curado, o veterando toca teclado na Associação de Artes dos Veteranos no Vietnã (NTDTV)
Hoje, finalmente curado, o veterano toca teclado na Associação de Artes dos Veteranos no Vietnã (NTD.tv)

Meu sincero desejo é ajudar aqueles que estão sofrendo ao contar-lhes sobre os benefícios profundos e maravilhosos do Falun Dafa.

Nguyen Van Bai reside na cidade de Yen Bai, no Vietnã.

Nota do editor:

Falun Dafa é uma prática de cultivo da mente e do corpo que ensina a Verdade, a Compaixão e a Tolerância como uma forma de melhorar a saúde e o caráter moral e alcançar a sabedoria espiritual.

Para mais informações sobre a prática, visite FalunDafa.org. Todos os livros, música de exercícios, recursos e instruções estão disponíveis gratuitamente.

 
 
 

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