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Venezuela é um dos países Latino Americanos com mais homicídios, apesar de criminosos migrarem devido à pobreza (Vídeo)

Por Epoch Times

A violência e a criminalidade são apresentadas com novos rostos na Venezuela e estão migrando tanto dentro do país quanto no exterior, de acordo com o último relatório anual do Observatório de Violência na Venezuela (OVV).

A Venezuela é um dos países latino-americanos com o maior número de homicídios. Em 2018 foram contabilizadas 23.047 mortes violentas, o que significa a absurda taxa de 81,4 homicídios por 100 mil habitantes.

O número total para 2018 é inferior a 2017 e 2016, com 89 e 92 homicídios por 100 mil habitantes, respectivamente, mas essa queda está acompanhada pela saída de quase três milhões de venezuelanos, segundo as Nações Unidas, que desde 2015 estão fugindo da violência, hiperinflação e escassez de produtos básicos.

“Temos visto uma taxa de emigração extremamente alta no país. A grande maioria das pessoas que emigraram são pessoas honestas, mas muitos criminosos também emigraram. Muitos criminosos emigraram simplesmente porque seus negócios não têm valor no país“, disse Roberto Briceño, diretor da OVV, ao apresentar o novo relatório anual.

Idosa enfrenta fila para comprar alimentos básicos e utensílios domésticos do lado de fora de um supermercado no bairro pobre de Lidice, em Caracas, Venezuela, em 27 de maio de 2016 (Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images)
Idosa enfrenta fila para comprar alimentos básicos e utensílios domésticos do lado de fora de um supermercado no bairro pobre de Lidice, em Caracas, Venezuela, em 27 de maio de 2016 (Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images)

Briceño salientou que “o crime se move em relação aos custos e benefícios”, e essa relação na Venezuela não teve muitas oportunidades para atuar no ano passado. Os recursos não estão mais lá, então os criminosos ‘emigraram'”.

Os assaltos a bancos diminuíram porque não há dinheiro e os roubos de veículos diminuíram também, porque há menos carros nas ruas ou então eles estão encostados por falta de reposição de peças.

“Não há dinheiro para roubar e os volumes que implicariam um espólio substancial não têm como ser transportados”, e quanto aos sequestros, já que estes devem ser pagos em moeda estrangeira: “a população sequestrável está bastante reduzida”.

Alguns criminosos “decidem que é preferível, pelo mesmo risco, obter mais benefícios em outros países”.

No que diz respeito à migração de criminosos para países vizinhos, o Ministério Público da Colômbia alertou para uma tendência crescente da prisão de venezuelanos em situação de flagrante delito desde agosto de 2017. O aumento anual de crimes cometidos por venezuelanos foi de 228%, segundo A Semana.

(Federico Parra/AFP/Getty Images)
(Federico Parra/AFP/Getty Images)

Caras novas

O aumento da pobreza na Venezuela também está mudando as formas como os crimes são cometidos no país.

Os criminosos profissionais que não emigraram, em vez de roubarem dinheiro, roubam comida, por isso eles atacam os trabalhadores do setor agroalimentar. Alguns vão para zonas rurais e se transformam em verdadeiros predadores, invadindo fazendas e roubando gado. Há também a prática de extorsão contra produtores e distribuidores de alimentos, diz o relatório.

Centenas de milhares de venezuelanos migraram para outros países da região nos últimos meses; existe a preocupação com as consequências e a falta de capacidade para conter a situação (Getty Images)
Centenas de milhares de venezuelanos migraram para outros países da região nos últimos meses; existe a preocupação com as consequências e a falta de capacidade para conter a situação (Getty Images)

Além disso, “surgiu um novo tipo de delinquente não profissional: são as pessoas que são empurradas para o crime devido à fome“.

“Aumentou este ano o roubo aos produtores de café, cacau e cana-de-açúcar. Isso tem sido relevante no município de Montes, com uma taxa de 106 mortes em 100 mil/h, e em Cajigal, com 189 mortes por 100 mil/h ”, afirma o documento.

Nas cidades, o controle territorial das quadrilhas dedicadas a roubos e sequestros compete com o surgimento dos crimes motivados pela fome e as execuções extrajudiciais por parte dos órgãos de segurança.

Protestos contra a ditadura venezuelana resultaram em muitas mortes e a tendência de a situação piorar é alarmante (Getty Images)
Protestos contra a ditadura venezuelana resultaram em muitas mortes e a tendência de a situação piorar é alarmante (Getty Images)

Aumento de assassinatos cometidos pelas forças de segurança

De um total de 23.047 mortes violentas no ano, 10.422 foram homicídios, e 7.523 pessoas morreram “devido à ação dos milicianos e dos para-militares, um aumento significativo em relação ao ano anterior”.

“Houve uma diminuição das mortes violentas cometidas por criminosos e um aumento nas mortes violentas resultantes de ações policiais que são chamadas de resistência à autoridade, mas que, em grande parte, podem ser seguramente classificadas como execuções”, diz o relatório do OVV.

O fato de haver um número maior de mortes por ação policial ilegal é, por sua vez, preocupante, destaca o OVV.

A lei não tem o poder de “agir arbitrariamente, cometendo crimes graves, como execuções, sequestros e abuso policial”.

“Quem combate o crime não pode fazê-lo fora da lei, pois desta forma a justiça ou legalidade não é garantida e a institucionalidade é enfraquecida, a sociedade cria uma imagem negativa das forças policiais e a violência cresce, aumentando a mortalidade e o crime”.

Segundo as previsões para os países mais violentos da América Central, segundo o OVV, a Venezuela “dobrará a taxa esperada para Honduras este ano, com 40 vítimas por 100 mil/h, e será maior do que a de El Salvador, que se espera seja menor do que 60 mortes por 100 mil/h”.