Variações genéticas podem determinar disposição na hora de acordar

Por Agência EFE

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (29) na revista “Nature” revelou que a genética determina se alguém tem mais facilidade para levantar cedo e ser mais produtivo durante o dia, o que também poderia reduzir o risco de sofrer de esquizofrenia e depressão.

A pesquisa, liderada pela Universidade de Exeter (Reino Unido) e pelo Hospital Geral de Massachusetts (Estados Unidos), analisou o funcionamento do relógio biológico humano a partir da análise genética de enormes bancos de dados. Os especialistas chegaram a relacionar a qualidade do bom despertar com a saúde mental e algumas doenças, entre as quais não aparecem a diabetes e a obesidade, como acreditava-se até agora.

O estudo destacou o papel que a retina desempenha para ajudar o organismo a controlar o tempo e também aumentou o número de áreas do genoma que influenciam se alguém tem essa disposição ou não de 24 a 351.

“Este trabalho expõe um grande número de genes que pode ser estudado mais detalhadamente para entender como diferentes pessoas podem ter diferentes relógios biológicos”, explicou em comunicado Mike Weedon, da Escola de Medicina da Universidade Exeter.

A grande quantidade de indivíduos envolvidos na pesquisa deu, segundo Weedon, “as provas mais claras obtidas até agora” sobre pessoas de hábitos noturnos terem “um risco maior de ter doenças mentais”.

No total, foram analisados genomas de 250 mil indivíduos de uma base de dados dos Estados Unidos e 450 mil de uma base do Reino Unido. Essas pessoas também tiveram que dizer se acham que são mais “noturnas” ou “diurnas”.

Depois, os especialistas tentaram identificar quais genes tinham em comum e como isso poderia influenciar nos padrões de sono, ao mesmo tempo que contrastaram essa informação com dados de outros 85 mil indivíduos de Biobank que ganharam uma pulseira de atividade. Os cientistas conseguiram observar que as variantes genéticas identificadas podem modificar em até 25 minutos a hora em que uma pessoa acorda de maneira natural.

Entre as regiões genômicas identificadas estão aquelas que influenciam os nossos relógios corporais, conhecidos como “ritmos circadianos”, nas quais também detectaram a presença de genes expressados no cérebro e no tecido retinal do olho.

O ciclo do relógio biológico, de acordo com os cientistas, é ligeiramente mais longo do que o diário de 24 horas e por isso, as conexões do tecido ocular explicam como o cérebro detecta a luz para “resetar” esse relógio todo dia e sincronizá-lo com o ciclo diário. O funcionamento do relógio biológico humano, conforme o estudo, é influenciado pelos genes e pelo nosso estilo de vida, como alimentação, exposição à luz artificial, trabalhos e atividades.

“O nosso trabalho indica que, em parte, os motivos pelos quais algumas pessoas são mais dispostas a acordar cedo e outras são mais noturnas se devem às diferenças que existem entre a maneira com que nossos cérebros reagem aos sinais da luz externa e ao funcionamento normal de nossos relógios internos”, disse Samuel E. Jones, da Universidade de Exeter.

Segundo ele, estas pequenas diferenças poderiam ter “efeitos significativos” na capacidade de nossos relógios biológicos para “controlar o tempo eficazmente”, o que “poderia alterar os riscos associados à doenças e transtornos mentais”.

 
 
 

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