Tudo pelo poder: a verdadeira história de Jiang Zemin – Capítulo 24 e epílogo

Os dias de Jiang Zemin estão contados. É apenas uma questão de quando, e não se, o ex-chefe do Partido Comunista Chinês será preso. Jiang governou oficialmente o regime chinês por mais de uma década, e por outra década ele foi o mestre das marionetes nos bastidores que freqüentemente controlava os eventos. Durante essas décadas, Jiang causou danos incalculáveis à China. Neste momento, quando a era de Jiang está prestes a terminar, o Epoch Times republica em forma de série “Tudo pelo poder: a verdadeira história de Jiang Zemin”, publicado pela primeira vez em inglês em 2011. O leitor pode vir a compreender melhor a carreira desta figura central na China de hoje.

Capítulo 24: Colhendo o furacão: julgamento final de Jiang é previsto (Parte 2)

5. Crise na educação

A educação é a espinha dorsal do desenvolvimento de longo prazo de uma nação, algo que recebe grande cuidado e atenção de governos próximos e distantes, antigos e novos. É problemático, então, que nos dez anos que Jiang Zemin manteve o poder, revoltas e crises atormentaram o sistema educacional da China.

Declínio dos Educadores

Os professores em sua tarefa de educar os jovens podem ser comparados a engenheiros do espírito, pessoas que purificam e modelam mentes e almas. Como disse Han Yu, o grande literato da Dinastia Tang: os professores assumem a responsabilidade de transmitir sabedoria, transmitir conhecimento e resolver dúvidas. A ideia é que os professores devem ser exemplos de virtude. Mas na era de Jiang Zemin, a China testemunhou exatamente o oposto. A qualidade dos professores deteriorou-se rapidamente.

Hoje em dia, muitos professores dão pouca atenção ao ensino de seus alunos. Em vez disso, vêem em suas posições caminhos para ganho e poder pessoal. Alguns até geram “renda” por meios desonestos. As escolas costumavam ser instituições limpas que geravam pouco lucro, mas agora elas se tornaram um dos setores públicos mais lucrativos e corruptos da China. É tão comum ver professores envolvidos em escândalos de admissão, diplomas falsificados e episódios de plágio que agora quase não contam como notícia.

Um exemplo, foi o impensável episódio que ocorreu na Universidade Normal de Nanjing, em 2004, envolvendo a exploração de estudantes do sexo feminino. Quando vários funcionários de alto escalão do Ministério da Educação vieram inspecionar a universidade, os administradores da escola forçaram 10 alunas do Departamento de Coreografia de Dança a deixar seus estudos de lado e dançar com os funcionários. As autoridades agiram de forma tão indecente que a maioria das mulheres fugiu do local depois e o baile terminou. O incidente criou um alvoroço no campus. Durante uma entrevista à imprensa, um professor chamou o incidente de um microcosmo dos padrões declinantes da China para interação social, ao qual mesmo as instituições de ensino superior não estão imunes. Ele disse: “A única intenção dos administradores da universidade era agradar os altos funcionários, pois eles podem ter muita influência no desenvolvimento da universidade”.

Chocante é a discrepância entre o que o sistema escolar pretende, com professores transmitindo conhecimento, e a realidade. Aparentemente, as escolas chinesas agora abrigam um número deplorável de professores predadores, que têm como alvo as crianças deixadas sob seus cuidados. Várias alunas engravidaram após serem estupradas por seus professores, e outras ficaram com cicatrizes para o resto da vida e alienadas pela violação. Alguns professores até começaram a assassinar seus alunos após fracassar nas tentativas de violá-los. Algumas das vítimas eram meninas. Abusos tão sérios e generalizados como esses eram inéditos no passado.

Em 2003, a mídia na China informou que um professor do ensino fundamental do condado de Dazu, na cidade de Chongqing, estuprou, nos anos de 2002 e 2003, 10 meninas que estavam em sua classe. Durante o segundo semestre de 2003 no condado de Longxi, província de Gansu, um professor de educação física começou a estuprar 12 meninas do 9º ano, alegando que ele estava ajudando os alunos em seu desejo de matricular-se no ensino médio. Duas das vítimas ficaram grávidas.

De setembro de 2002 a março de 2004, um professor de 51 anos da Zhongyang Elementary School no município de Hekou, província de Guizhou, estuprou 12 alunas por um total de 42 vezes e molestou 16 alunas no total de 35 vezes. Em aproximadamente um ano, a grande maioria das alunas de sua classe se tornou vítima de abuso—abuso desprezível e desumano. Das 19 meninas de sua classe, apenas três escaparam de seu abuso.

Em junho de 2004, foi descoberto que um professor do ensino fundamental do Condado de Linxia estuprou e molestou nove alunas na terceira série várias vezes em um período de um ano e meio. Alguns indivíduos foram abusados dezenas de vezes. A vítima mais velha tinha menos de 15 anos, as outras tinham 9 ou 10. No município de Nanxing, na província de Zhanjiang, o diretor de uma escola primária, Lin Dengping, violou sexualmente estudantes sete vezes em um período de três meses. Ele estuprou 11 meninas em sua escola. A vítima mais jovem tinha apenas 10 anos.

Talvez mais preocupante ainda é que, sob a administração de Jiang, casos como esses passaram de surtos raros e isolados a um fenômeno generalizado no sistema educacional chinês.

O conhecido educador Tao Xingzhi disse certa vez que a principal prioridade dos professores é ensinar ética às pessoas, enquanto a principal prioridade dos alunos é aprender os princípios da vida. Ele disse: “A coisa mais importante a ensinar é ensinar como ser honesto”, e “a coisa mais importante a aprender é aprender a ser uma pessoa honesta”. Ele também disse que valores morais sólidos são essenciais para que as pessoas os tenham. Sem isso, tudo o mais conta para nada.

Atualmente, na China, esta erosão generalizada dos valores morais na conduta diária exibida por administradores e professores está causando um grande impacto no crescimento e desenvolvimento dos alunos. Sem ensinamentos morais para guiá-los, muitos estão passando pela vida como barcos sem leme em um mar turbulento. Nas escolas, as crianças não aprendem mais sobre valores morais, respeito pela vida humana ou como cuidar de seus semelhantes.

Em fevereiro de 2004, um assassinato de alto perfil aconteceu na Universidade de Yunnan. Um aluno chamado Ma Jiajue, despreocupadamente, matou um colega de classe por dia no dormitório. Ma fugiu depois de matar o quarto estudante e mais tarde foi preso na cidade de Sanya, província de Hainan. O caso causou um grande rebuliço. Ma explicou os assassinatos, dizendo: “Eu realmente me perdi e não tinha ideia de como viver”. Embora um ato tão extremo como cometer um assassinato por um sentimento de desesperança ou ódio seja raro, o estado de espírito por trás dele—sentir-se perdido—não é mais raro. E é aqui que vemos o fracasso do sistema educacional da China refletido com mais clareza: no ensino de ética e valores. A mente de um jovem estudante é como uma lousa em branco, faltando certos princípios morais básicos para adultos. Ele não tem uma noção do significado da vida, ele não tem objetivos maiores ainda e não é capaz de resolver problemas sozinho. Os alunos não se tratam com gentileza e, muitas vezes, odeiam uns aos outros e agem de forma agressiva. Como se poderia esperar que pessoas desse tipo contribuíssem para a China e trouxessem esperança para o futuro da China?

Todos esses problemas estão intimamente ligados à maneira como os líderes no sistema educacional lideram. O principal oficial do Partido no Ministério da Educação é Chen Zhili—uma mulher casada que mantém um caso com Jiang Zemin há cerca de duas décadas. O comportamento imoral e o passado vergonhoso de Chen em Xangai representaram uma tragédia para a educação na China.

Cartas de admissão mortais

Paralelamente às práticas que Jiang Zemin e seu filho usaram para desviar os fundos públicos da China, escolas em todo o país também, na era de Jiang Zemin, se voltaram para o lucro. As escolas continuam a fazer fortuna cobrando caro demais dos alunos apesar das repetidas proibições contra isso. Em 16 de dezembro de 2003, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China disse em uma entrevista coletiva que só em 2003, cerca de 12.600 casos de estudantes que receberam cobrança excessiva foram descobertos em uma investigação, com a quantia de fundos envolvidos em até 2,14 bilhões de yuans (US$ 257 milhões).

Um diretor da Comissão afirmou que a cobrança excessiva de mensalidades e taxas é um problema agora comum a todas as instituições educacionais da China, desde escolas primárias a escolas de segundo grau, universidades e até departamentos administrativos, com uma série de meios ilegais sendo usados. Grandes somas de dinheiro estão envolvidas e o problema continua, apesar das investigações.

A administração de algumas instituições cita “déficits orçamentários” para justificar a cobrança de taxas exorbitantes que vão direto para seus bolsos. Às vezes, os administradores cortam as taxas normais como parte de sua “reforma”, apenas para mais do que compensar por meio de taxas especiais mais tarde. No curto período de janeiro de 2001 a setembro de 2003, a Southern China University of Technology cobrou a mais dos alunos que não passaram nos exames taxas de até 3,1 milhões de yuans (US$ 372.000) para repetir o curso. Na China, até mesmo escolas de ensino médio e fundamental se tornaram entidades lucrativas. A educação está se parecendo cada vez mais com um negócio, com coisas como escolas de prestígio ganhando muitos patrocinadores e cobrando dos pais dos alunos “taxas de seleção escolar” para tornar seus filhos elegíveis para frequentar—tudo como um meio de riqueza ilegal. A taxa de seleção de uma escola primária de primeira linha na cidade de Harbin, no norte do país, chega a 35.000 yuans (US$ 4.200), enquanto a de uma escola primária de alto nível em Pequim subiu para 7.000 yuans (US$ 8.400).

Mensalidades e taxas altas negam aos alunos de regiões pobres e famílias a oportunidade de frequentar a escola. Algumas famílias pobres estão mergulhadas em dívidas pesadas, na verdade. Alguns pais até cometem suicídio pela culpa de não poder pagar as mensalidades dos filhos.

Em 2002, quando um homem de sobrenome Ding, da cidade de Baoji, província de Shanxi, viu a carta de admissão de seu filho da Fudan University e uma conta detalhada de mais de 7.000 yuans, o choque e a dor foram tão grandes que ele pulou de uma janela do sétimo andar.

Em 2003, Jing Tongshi, de 53 anos, um agricultor do Rancho Yulin Nanjiao na província de Shanxi, cometeu suicídio ao consumir pesticida logo após sua segunda filha ter sido admitida na Northeast Normal University e sua terceira filha e segundo filho terem sido recomendados para admissão em escolas de ensino médio de prestígio.

Em 6 de agosto de 2003, Chen Nenggen, um agricultor de 40 anos de Aimin Village, província de Jiangsu, cometeu suicídio ao consumir uma garrafa de pesticida após não conseguir levantar fundos suficientes para sua filha, Chen Xia, frequentar uma escola profissionalizante para a qual ela foi admitida.

Su Tianjiang, um graduado do Shandan First Senior High, deixou o mundo com dores semelhantes. Depois de fazer o Exame de Admissão ao Colégio Nacional em 2003, ele foi admitido em uma universidade. Como seu pai tinha uma doença crônica, Su e sua família estavam em apuros econômicos e não podiam pagar as mensalidades. A pressão era demais e a desesperança se instalou. Su então se enforcou em sua casa.

O que deveria ter sido um evento feliz e triunfante—conseguir admissão na faculdade no sistema extremamente competitivo da China—nesses e em muitos outros casos provou, tragicamente, ser a ruína fatal da família. Não é de admirar que um advogado tenha exclamado que a escola deveria ser um lugar que educa as pessoas, não um que tira suas vidas. E ainda, de todas as coisas, o cenário descrito acima se tornou comum.

De acordo com as estatísticas oficiais da China, os estudantes foram cobrados mais de 200 bilhões de yuans nos últimos 10 anos. O superfaturamento tem sido uma das principais reclamações de preços em todo o país por quatro anos consecutivos. O Ministério da Educação, chefiado por Chen Zhili—uma assessora de confiança de Jiang Zemin—tornou-se alvo de críticas públicas. Em 18 de março de 1998, em uma reunião liderada pelo Conselho de Estado com a presença de presidentes de instituições de ensino superior, os presidentes de muitas universidades importantes que estão sob a supervisão do Ministério da Educação—incluindo a Universidade Qinghua, a Universidade de Pequim, a Universidade de Zhejiang e a Universidade Fudan—pediram conjuntamente que Chen Zhili fosse destituída de seu cargo de Ministra da Educação. Isso nunca aconteceu, entretanto. Cerca de cinco anos depois, em março de 2003, quando o mandato de Chen finalmente terminou, a Ministra da Educação fracassada foi inesperadamente promovida—supostamente por sua fidelidade absoluta a Jiang Zemin na supressão do Falun Gong, entre outras coisas—ao próprio Conselho de Estado. Lá, para completar, ela recebeu a responsabilidade de supervisionar os assuntos educacionais da nação.

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