Testemunhos de abuso sexual a monjas tibetanas enquanto estavam sob custódia da polícia chinesa

Por Jocelyn Neo 

O abuso sexual aos uigures pelo regime chinês foi amplamente relatado nos últimos anos, à medida que mais vítimas desta minoria muçulmana se apresentaram para expor a perseguição em curso na região de Xinjiang. O estupro massivo e a tortura de mulheres praticantes do Falun Gong foram amplamente relatados pelo Minghui.org nas últimas duas décadas.

Monjas tibetanas também foram submetidas à tortura sexual nas mãos do Partido Comunista Chinês (PCC), mas suas histórias são ainda menos conhecidas. Em 2018, o Centro Tibetano para Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) publicou um relato em primeira mão de um monge que testemunhou oficiais comunistas abusando sexualmente de monjas no Centro de Reeducação do Condado de Sog, na prefeitura de Nagchu, na região do Tibete.

Tenzin Sangmo, pesquisadora do TCHRD, afirmou ao Epoch Times em um e-mail, que sua investigação de 25 anos forneceu “evidências anedóticas de abuso sexual” sofrido por mulheres e monjas tibetanas.

“Este relato do monge como testemunha ocular foi obtido com grande dificuldade”, afirmou. “Parece que o monge foi detido em um dos muitos centros extralegais de reeducação política com outros monges e monjas”.

Sangmo acrescentou que obter este tipo de informação de dentro do Tibete se tornou “cada vez mais difícil” após 2008, e ainda mais de 2016 a 2017 devido ao “aumento maciço da censura e vigilância”.

“Contatar as pessoas dentro do Tibete é um exercício repleto de ilimitados riscos”, acrescentou.

Monges e monjas budistas tibetanos participam de uma manifestação de solidariedade contra o domínio do Partido Comunista Chinês sobre o Tibete, na capital indiana de Nova Delhi, em 18 de outubro de 2011 (Raveendran / AFP via Getty Images)
Monges e monjas budistas tibetanos participam de uma manifestação de solidariedade contra o domínio do Partido Comunista Chinês sobre o Tibete, na capital indiana de Nova Delhi, em 18 de outubro de 2011 (Raveendran / AFP via Getty Images)

Sangmo afirmou que os métodos de vigilância e censura massiva (pdf), como os sistemas “Network Management” e “Double Link Home”, ameaçam os chineses para que se denunciem e traiam uns aos outros. Para aumentar a dificuldade, a ferramenta de “punição coletiva” do PCC forçou os tibetanos, que antes estavam dispostos a falar, a “praticar a autocensura” para evitar colocar em perigo aqueles ao seu redor.

O monge tibetano anônimo, que foi mantido no centro de reeducação política por quatro meses, estava estudando na província de Qinghai. Autoridades comunistas o levaram à força para sua cidade natal no condado de Sog e, se ele recusasse, sua família poderia ter sido detida, de acordo com um relatório do TCHRD. Ele então, foi levado a um centro de reeducação, onde quase todos os detidos eram monges ou monjas.

Embora um oficial o tenha informado que o centro “é uma escola, não uma prisão”, o monge afirmou em seu relato pessoal que logo percebeu que o lugar nada mais era do que uma prisão projetada para fazer lavagem cerebral e coagir os budistas tibetanos.

O estilo de “ensino” do centro o lembrava da Revolução Cultural, onde as pessoas eram constantemente forçadas a se criticarem. Os detidos também foram torturados e espancados com cassetetes elétricos até alguns desmaiarem. Todos eles, independentemente da idade, tiveram que participar de exercícios militares. Durante um dos exercícios, o monge testemunhou o assédio e o abuso das monjas.

“Muitas monjas perderam a consciência durante os exercícios [militares]”, relatou o monge, de acordo com o relatório do TCHRD. “Às vezes os oficiais levavam as monjas inconscientes para dentro, onde eu os via acariciando os seios das monjas e as tateavam por todo o corpo. (…) Ouvi falar de alguns policiais que foram dormir no dormitório das monjas, pressionando as monjas inconscientes por baixo”.

O abuso sexual não é o único método usado para “transformar” monjas tibetanas. O relatório especial de 2016 do TCHRD sobre “Prisioneiros de Consciência no Tibete” detalhou outros métodos de tortura, como choques com bastões elétricos; privação de comida, água e sono; despeje de água fervente sobre os prisioneiros; soltar cães aos prisioneiros; e marcar com pás em brasa, etc.

Esses métodos são apenas alguns dos mais de 100 métodos de tortura de rotina usados ​​pelo regime comunista chinês para perseguir prisioneiros de todas as categorias.

Ilustração de um dos métodos de tortura sexual usados ​​pelos oficiais do PCC para coagir os prisioneiros de consciência, especialmente os praticantes do Falun Gong, a renunciar à sua fé. (Minghui.org)
Ilustração de um dos métodos de tortura sexual usados ​​pelos oficiais do PCC para coagir os prisioneiros de consciência, especialmente os praticantes do Falun Gong, a renunciar à sua fé. (Minghui.org)

Sangmo relatou que milhares de monges e monjas foram expulsos de renomadas academias tibetanas, como Larung Gar e Yarchen Gar na região de Kardze do Tibete, e então detidos para obterem reeducação política a fim de “expulsá-los de sua busca espiritual, considerando que seu caminho é incompatível às características de um cidadão chinês modelo”.

Igualmente, outros monges e monjas foram forçados a deixar seus mosteiros, o monge anônimo detido no Centro de Reeducação do Condado de Sog não pôde retornar ao seu mosteiro ou continuar sua educação monástica após sua libertação.

“Eles o forçaram a se despir após deixar o centro de reeducação política”, afirmou Sangmo. “A maioria dos monges e monjas expulsos dessas duas proeminentes academias budistas tibetanas está sujeita a restrições semelhantes”.

De acordo com um relatório da Campanha Internacional pelo Tibete (ICT), uma ex-monja tibetana, Tenzin, foi violentada por policiais chineses armados após ter sido presa enquanto tentava escapar do Tibete, em 2005. Tenzin, que estava estudando na Índia em uma escola administrada pelo governo tibetano durante o exílio, voltou ao Tibete para visitar seu pai doente. Finalmente, retornou à Índia no início de 2009, após suportar um ano de detenção e tortura.

Tenzin contou como as autoridades locais a visitaram repetidamente, perguntando o que ela estava fazendo na Índia. “As autoridades chinesas desconfiam cada vez mais dos tibetanos que frequentam escolas e institutos religiosos administrados pelo governo tibetano durante o exílio, pois consideram que foram influenciados por ideias de separatismo”, afirmou, de acordo com o relatório da ICT.

Incapaz de “permanecer em paz”, Tenzin decidiu deixar sua casa junto com um grupo de tibetanos, incluindo duas crianças. No entanto, cinco soldados a detiveram em um posto de controle e depois os levaram a um prédio militar, onde um soldado tibetano perguntou se ela era monja, após ver sua cabeça raspada. Quando Tenzin afirmou que sim, o soldado tibetano a insultou e os demais espancaram-na com cassetetes e cintos.

Nos dias seguintes, Tenzin foi algemada com os braços e os pés a uma cama de madeira e trancada em um quarto. Uma noite, dois guardas da prisão entraram e a forçaram a engolir remédios antes de violentá-la.

“Senti que algo ruim estava para acontecer, gritei o mais alto que pude na esperança de que alguém viesse pará-los. Mas foi tudo em vão”, declarou. “Então eu caí inconsciente. Não sei se foi devido aos remédios que me deram ou por medo. Eu não conseguia sentir nada, especialmente a parte inferior do meu corpo”.

Em 1988, a BBC exibiu um documentário sobre 12 tibetanos no qual uma monja se comovia após ter sofrido abuso sexual em uma delegacia de polícia, de acordo com um artigo no UCA News. “Eles pisaram em meu rosto, perfuraram meu peito e me chutaram”, relatou a monja. “Então eles tiraram nossas roupas e três ou quatro pessoas nos violentaram com um cassetete”.

Outra monja confirmou que foram “constantemente violentadas por sete ou oito pessoas” e que foram “deixadas nuas” após o calvário.

Sangmo relatou ao Epoch Times que as monjas são submetidas ao “mesmo nível de tortura” que os demais, e que a tortura física é “acompanhada por psicológica”. Ele confirmou que não há sinais de relaxamento das restrições ou perseguições que o povo tibetano enfrenta, e sim, que a repressão só piorou.

“As coisas pioraram desde 2008 e pioraram ainda mais após Xi Jinping assumir o poder”, declarou. “Sua consolidação no poder e a aplicação de sua visão do socialismo com características chinesas para uma nova era levou a maior repressão aos tibetanos”.

Ele acrescentou que a situação no Tibete não pode ser avaliada apenas com base em estatísticas porque “não há ambiente de pesquisa”.

“As informações vêm do Tibete e as estatísticas precisam de um conjunto suficiente de informações para apoiá-las. Portanto, qualquer mudança nas estatísticas não é indicativo de uma mudança na situação. Usar estatísticas em casos como esse pode anular a complexidade que cerca o problema”, afirmou Sangmo.

Arshdeep Sarao contribuiu para o desenvolvimento deste artigo.

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