Uma perseguição diabólica sem precedente – Capítulo 1

Originalmente publicado em inglês em 2016, o Epoch Times tem o orgulho de republicar “Uma perseguição diabólica sem precedente: um genocídio contra o bem na humanidade” (editores Dr. Torsten Trey e Theresa Chu. Clear Insight Publishing, 2016). O livro ajuda a entender a extração forçada de órgãos que ocorre na China, explicando a causa fundamental dessa atrocidade: o genocídio cometido pelo regime comunista chinês contra os praticantes do Falun Gong.

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Capítulo 1: A lógica de um ditador

Por Michel Wu

Em outubro de 1999, Alain Peyrefitte, diretor-editorial de Le Figaro, um dos maiores jornais da França, realizou uma entrevista por escrito com o então líder do Partido Comunista Chinês (PCC), Jiang Zemin, antes da sua visita à França. A entrevista solicitou os comentários de Jiang sobre questões na China, França e outras partes do mundo.

Jiang, na tentativa de justificar a sua decisão de iniciar a violenta perseguição contra o Falun Gong alguns meses antes, aproveitou a oportunidade para controlar proativamente a mídia internacional, rotulando o Falun Gong de “culto do mal”.

O Partido Comunista Chinês escolheu a França por dois motivos. Primeiro, após o incidente da Ordem do Templo Solar que chocou o mundo, a França adotou uma série de medidas administrativas e judiciais por muitos anos para impedir que cultos se proliferassem dentro do país. Portanto, o PCC viu esse período histórico único como uma boa oportunidade para instigar a confusão entre o bem e o mal.

A segunda razão é que as entrevistas com dignitários estrangeiros visitantes são intensamente procuradas pela mídia francesa na feroz competição pelo mercado consumidor. O Partido Comunista Chinês, então, dançou conforme a música, dando a Le Figaro o privilégio de entrevistar Jiang com a condição de que o texto da entrevista fosse publicado na íntegra. Peyrefitte, que adorava estar no centro das atenções políticas e da mídia, foi obediente às exigências do PCC.

No dia da chegada de Jiang à França, Le Figaro publicou todo o conteúdo da sua entrevista, conforme acordado anteriormente. A entrevista impactou severamente a opinião pública local: alguns jornalistas repetidamente repetiram as palavras de Jiang, enquanto outros permaneceram em silêncio, com medo de fazer o menor barulho sobre a prisão, detenção, tortura e lavagem cerebral em curso contra os praticantes do Falun Gong na China continental.

No início dos anos 90, o Partido Comunista Chinês já governava a China há mais de 40 anos, resultando em imenso sofrimento para centenas de milhões de pessoas inocentes. Os cidadãos chineses em geral começaram a duvidar da ideologia comunista e muitos procuravam uma conexão renovada com as suas raízes espirituais tradicionais. O Falun Gong, uma prática de autoaperfeiçoamento da Escola Búdica, baseada nos princípios da verdade, compaixão e perseverança, recebeu amplo reconhecimento em todos os níveis da sociedade chinesa em um período surpreendentemente curto. No início, inclusive a mídia oficial do PCC promoveu o Falun Gong como “100% benéfico e nem um pouco prejudicial”. Em 1998, seis anos após a sua introdução ao público, cerca de 100 milhões de pessoas, segundo as próprias estimativas do governo chinês, estavam praticando o Falun Gong. No entanto, à medida que a prática crescia em popularidade, o PCC começou a mudar sua visão a respeito do Falun Gong.

Desde que o Partido Comunista Chinês chegou ao poder, ele manteve estritamente um princípio fundamental: nunca permitir a existência paralela de outras organizações. O PCC considera a governança de forma vertical de cima para baixo como uma necessidade fundamental para a sua sobrevivência. A chamada “Conferência Consultiva Política do Povo” é apenas uma fachada. Os membros ou quadros devem declarar sua lealdade ao PCC por meio das Constituições do Partido. Desde a “Conferência Representativa do Povo” até organizações comunitárias como o Sindicato dos Trabalhadores, a Liga da Juventude Comunista, a Federação das Mulheres e outras organizações em fábricas, escolas, mercados, bairros e vilas, todos precisam estabelecer comitês ou subcomitês do PCC. Essa é uma característica da realidade política na China. Com o Falun Gong agora destacado no cenário nacional, com mais adeptos do que o próprio PCC, a prática involuntariamente se posicionou como uma ameaça à sobrevivência do regime. Os princípios que a prática promove são diametralmente opostos aos princípios do Partido; contudo, antes da repressão, ela foi recebida com adoração e estima por centenas de milhões de pessoas, incluindo membros do PCC. À luz da revolta na União Soviética e em outras regiões do Leste Europeu, apenas alguns anos antes, o PCC ficou bastante amedrontado e considerou o apolítico Falun Gong como a União Solidariedade da Polônia.

Quando o Partido Comunista Chinês concluiu que o Falun Gong representava uma ameaça significativa ao seu poder, sucedeu-se uma opressão frenética e bárbara. Após o Massacre da Praça da Paz Celestial de 1989, um novo grande grupo de pessoas inocentes se tornou o principal alvo de perseguição do PCC. Semelhante aos movimentos políticos do passado, houve prisões em massa em todo o país. Detenções, prisões e lavagem cerebral foram precedidas de difamação cheia de mentiras. O objetivo era usar acusações falsas para coagir as pessoas, que ignoravam os fatos, a se unirem ao PCC e para “destruir” o Falun Gong por todas as frentes e em todos os estratos da sociedade.

Eu comecei os meus estudos universitários em 1956. Como muitos dos meus jovens amigos, eu gostava de jogar basquete. Assim, decidimos organizar uma partida de basquete entre as aulas. Antes do início do primeiro jogo, um aluno mais velho apareceu na quadra de basquete. Ele nos perguntou com severidade: “O que vocês estão fazendo?” Eu respondi educadamente que estávamos jogando uma partida de basquete. “Partida de basquete? Você obteve a aprovação do subcomitê do Partido?” Eu disse a ele que não. Ele imediatamente nos repreendeu: “O subcomitê do Partido não sabe? Dispensados!” Foi então que descobrimos que esse estudante era um quadro do PCC antes de entrar na universidade e que ele também era um secretário do subcomitê do Partido na universidade. Essa foi minha introdução ao regime organizacional do Partido Comunista.

Um ano depois, um editorial intitulado “Por que isso?”, publicado pelo jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o Diário do Povo, foi o gatilho da campanha “antidireitista”. Histórias sobre esses “direitistas anti-Partido e antissocialistas” eram publicadas continuamente. Vinte anos depois, eu me reencontrei com um colega de classe “direitista”. Depois de alguma conversa fiada, descobri que ele não era mais um “direitista”. Ele me deu um sorriso irônico e disse: “Sim, eles removeram meu chapéu de burro mais uma vez.”

O início da Revolução Cultural em 1966 foi desencadeado por uma crítica a uma peça de teatro histórica. Um dia, depois que os Guardas Vermelhos de Mao Tsé-tung assumiram o controle do departamento editorial da Agência de Notícias Xinhua, encontrei-me inadvertidamente com Mu Qing, o editor-chefe da Xinhua que havia sido fisicamente atacado como uma “besta demoníaca” e condenado à “reeducação pelo trabalho” por sua política subversiva. Curioso para obter mais informações a respeito, perguntei a ele: “Como você entrou no caminho do capitalismo?” Ele respondeu com um pouco de confusão: “Eu? Trinta anos como um revolucionário comunista e eu não entendi Marx e Lenin…”

Na noite de 3 de junho de 1989, o primeiro dia dos protestos estudantis, eu telefonei Pequim de Paris para perguntar: “O que realmente está acontecendo? Quem são os vadios na Praça da Paz Celestial?” A resposta rápida antes do término da ligação foi: “Não pergunte. As forças armadas já estão no controle da sede!” Toda vez antes de um importante movimento político, a primeira coisa que acontece é o controle absoluto da mídia. Este em geral é o modus operandi de um regime totalitário.

A campanha anti-Falun Gong da mídia começou em 17 de junho de 1996 no Diário de Guangming da China. Mais de uma dúzia de jornais e revistas seguiram o exemplo. Em 23 de julho de 1999, o Diário do Povo publicou um editorial que dizia: “Fique mais atento. Veja claramente o perigo. Mantenha firme a política. Salvaguarde a estabilidade.” Usando linguagem severa, o editorial alegou que o Falun Gong era uma “organização ilegal”. A partir daí, as cornetas trombetearam para suprimir e erradicar o Falun Gong. Ao mesmo tempo, o Partido Comunista Chinês mobilizou organizações religiosas, cívicas e acadêmicas já sob o seu controle para fazer pronunciamentos anti-Falun Gong e realizarem conferências anti-Falun Gong. E assim, um crime sem nome foi criado sob ataques verbais e escritos, organizados e orquestrados, levando a um movimento político trágico e sem precedente.

Os nomes usados pelo Partido Comunista Chinês contra o Falun Gong mudavam constantemente, de “organização ilegal” para “grupo de culto” para “organização hostil reacionária” para “instrumento político ocidental e anti-China” para “organização antigoverno” para “grupo político reacionário e força política” até “organização terrorista”. Toda essa propaganda irresponsável causou aos meus colegas franceses um pouco de confusão.

Eu me despedi da Agência Xinhua após a tragédia em Pequim em 4 de junho de 1989 e aceitei um convite do Conselho Administrativo da Radio France Internationale (RFI) para iniciar uma filial chinesa na França, com o objetivo de atingir um público chinês continental. Logo após a visita de Jiang Zemin à França, a embaixada da China enviou alguém para conversar com o presidente da RFI, Jean Paul Cluzel, a respeito da filial de transmissão chinesa. Cluzel solicitou que o gerente da filial chinesa também participasse da reunião. O diplomata de Pequim rejeitou veementemente a proposta. Após a reunião, Cluzel disse com um sorriso: “Acabei de conhecer um Guarda Vermelho.”

Pouco tempo depois, outro diplomata de Pequim me convidou para tomar um café. Ele não perdeu tempo: “Eu quero falar com você sobre a questão do Falun Gong. Não relate sobre o Falun Gong no programa chinês do qual você é responsável.” Perguntei a ele por quê. Sem hesitar, ele disse: “O Falun Gong é um culto, eu trouxe muitos materiais para você.” Debaixo da mesa, ele puxou uma grande sacola cheia de materiais anti-Falun Gong, com folhetos, pôsteres, vídeos e CDs.

Eu disse a ele claramente: “Culto é o nome que vocês usam. A RFI é uma mídia independente. Sem investigação independente, não podemos fazer reportagens sobre o Falun Gong, nem podemos relatar notícias baseadas no que você diz.”

Eu sugeri que: “Como a questão do Falun Gong foi politizada e internacionalizada, as autoridades chinesas do continente deveriam abrir as portas e permitir que a mídia internacional conduza investigações independentes sobre a questão do Falun Gong.”

Logo após a visita de Jiang Zemin à França, meus colegas e eu encontramos uma coluna especial que abordava a questão do Falun Gong no site da embaixada chinesa. Esse fervor que não poupa esforços para atingir negativamente o Falun Gong, e que continua a incluir meios diplomáticos, pode enganar as pessoas por algum tempo, mas certamente provocaria questionamentos, e manteria as pessoas em alerta e em dúvida.

Jiang Zemin usou Le Figaro para influenciar a opinião pública e enganar o povo da França, mas não conseguiu impedir as autoridades francesas e os intelectualmente curiosos de explorarem os fatos sobre o Falun Gong. O governo francês emitiu um decreto em novembro de 2002 e estabeleceu o painel da Mission Interministérielle de Vigilance et de Lutte contre les Dérives Sectaires, diretamente sob o gabinete do primeiro-ministro. Sua missão é “estar vigilante e lutar contra a proliferação de cultos” e “observar e analisar o fenômeno cultista por meio das suas ações contra os direitos humanos e as liberdades fundamentais”. A força-tarefa também é responsável por “coordenar o empoderamento público para prevenir e reprimir várias ações de culto”.

O governo francês não listou o Falun Gong como um culto a ser vigiado e suprimido. Até hoje, todo fim de semana, sem exceção, os praticantes do Falun Gong se reúnem em frente à Torre Eiffel e em outros dois parques para fazer exercícios em grupo. Sua Banda Tian Guo continua participando de grandes atividades culturais organizadas pelo governo francês. Além disso, os praticantes do Falun Gong realizaram várias conferências e fóruns informativos no edifício do parlamento do povo francês para ajudar as pessoas a entenderem o lado verdadeiro do Falun Gong e sobre a perseguição.

No entanto, as solicitações do Falun Gong para realizar protestos silenciosos em frente à embaixada da China foram constantemente negadas pelo departamento de polícia francês com uma desculpa atrás da outra. Em julho de 2009, os praticantes do Falun Gong processaram a autoridade policial francesa. No final, o Tribunal Administrativo de Paris, le tribunal administratif de Paris, decidiu a favor do Falun Gong e ordenou que a polícia francesa pagasse mil euros como compensação à Associação Francesa do Falun Dafa.

De fato, sem conhecimento suficiente da cultura tradicional chinesa e sem conhecimento do Estado comunista moderno, é difícil para os estrangeiros entenderem imediatamente a verdade sobre o Falun Gong. Entre os muitos grupos vitimados durante diversos períodos da história do Partido Comunista Chinês, o Falun Gong é incomum, não tendo sido esmagado nem disperso sob a pressão de tanta propaganda intensa e perseguição brutal. Na resistência à tirania, o Falun Gong foi o primeiro a revelar a verdadeira história e natureza do PCC por meio da publicação dos Nove Comentários sobre o Partido Comunista. Enquanto estava sob severa perseguição, o Falun Gong abriu um caminho refrescante no jornalismo chinês, estabelecendo, fora da China, o jornal The Epoch Times, a estação de rádio Sound of Hope (SOH), a New Tang Dynasty Television (NTDTV) e um número de outras mídias independentes.

Além disso, com coragem sem precedente e firme convicção moral, os praticantes do Falun Gong expuseram a organizações internacionais as ações injustificáveis do Partido Comunista Chinês e instauraram processos judiciais contra muitos líderes do PCC em tribunais estrangeiros. Recentemente, os praticantes do Falun Gong fundaram o Shen Yun Performing Arts com a missão de promover a cultura tradicional chinesa, e também organizaram várias competições internacionais de artes e cultura. Os praticantes do Falun Gong estão se unindo a todas as vítimas do comunismo, com o compromisso de combater esse sistema repressivo de controle até que todas as pessoas, principalmente as pessoas na China, sejam libertadas e possam desfrutar das liberdades de uma sociedade democrática.

Logo após o início da perseguição ao Falun Gong, um grupo de pessoas comuns, que passaram a ser conhecidas como “peticionários”, tornou-se um ponto focal único em Pequim. Sob o disfarce dos sucessos econômicos da China sob o monopólio de partido único, essas pessoas foram oprimidas por funcionários corruptos, suas famílias foram desmembradas e não há lugar onde elas possam dirigir suas queixas ou reparar as injustiças que sofreram. Ano após ano, assumindo grandes riscos, elas continuam a se reunir em Pequim, na esperança de peticionar e requerer alguma justiça. O resultado é que esses peticionários são frequentemente excluídos e até jogados nas chamadas prisões negras. Muitos receiam que esses peticionários sejam o último lote de vítimas chinesas sob o comunismo. O rótulo político que o Partido Comunista Chinês colocou neste grupo ainda não foi removido.

Acredita-se que Alain Peyrefitte seja alguém que “ficou encantado com Zhou Enlai, um ex-líder do regime comunista chinês, e incapaz de se libertar”. Após a sua morte, o Partido Comunista Chinês ergueu uma estátua dele no campus da Universidade de Wuhan para que os estudantes prestassem os seus respeitos. Mas o que os jovens da China lembram a respeito dele? Além de atuar como cúmplice de Jiang Zemin, contribuindo para o sofrimento de milhões, ele publicou um livro de propaganda chinesa em 1973, “When China Awakes, the World Will Tremble” [“Quando a China despertar, o mundo tremerá”, tradução livre do título]. O livro tenta sensacionalizar a China durante o período epiléptico da Revolução Cultural. Aqueles próximos a Peyrefitte comentaram que a China que ele representava era a China descrita por Zhou Enlai. O autor argumentou que, com uma população enorme e considerável força econômica e tecnológica, a China conquistaria uma posição no mundo. Em resposta à premissa de Peyrefitte, um leitor escreveu o seguinte: “Se a democracia não for adotada, se a ditadura comunista não for abandonada, a emersão da China como superpotência é apenas um disparate.”

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