Pentágono suspende ajuda de US$ 300 milhões ao Paquistão destinados ao contraterrorismo

Por Holly Kelum, correspondente da Casa Branca para a NTD

O Pentágono afirmou que não irá mandar sua ajuda de 300 milhões de dólares ao Paquistão para utilização no contraterrorismo, depois de considerar que o país não está cumprindo o requisito de tomar medidas decisivas contra os grupos terroristas que operam dentro de suas fronteiras.

Este ano, o Departamento de Estado disse que estava retendo os fundos de segurança destinados ao país, os quais poderiam ser retomados se fosse constatado que o Paquistão está fazendo progressos em se livrar dos terroristas que têm lutado uma guerra de 17 anos no país. O Pentágono agora disse que decidiu suspender os Fundos de Apoio à Coalizão que reembolsam o Paquistão por seus esforços em combater o terrorismo.

“Devido à falta de ações decisivas por parte do Paquistão em apoio à Estratégia do Sudeste Asiático, os restantes US$ 300 [milhões] foram reprogramados,” disse em 1º de setembro o porta-voz do Pentágono, Tenente-Coronel Kone Faulkner.

Os fundos serão atribuídos a “outras prioridades urgentes”, acrescentou.

Faulkner disse que o plano será apresentado ao Congresso e, se for aprovado, os Fundos de Apoio à Coalizão que foram cortados este ano chegarão a 800 milhões de dólares.

O Paquistão recebeu mais de 33 bilhões de dólares de assistência dos Estados Unidos nos últimos 16 anos, incluindo mais de 14 bilhões de dólares em Fundos de Apoio à Coalizão.

Um oficial paquistanês, falando sob condição de anonimato, disse que não tinha conhecimento de que a decisão dos Estados Unidos havia sido formalmente comunicada, mas que acha que acontecerá até o final de setembro.

O Paquistão, uma nação de maioria muçulmana, tem um relacionamento instável com sua vizinha, a Índia, e esse tem sido um dos pontos centrais dos Estados Unidos desde que o grupo terrorista Al-Qaeda realizou os ataques de 11 de setembro contra o Pentágono e as Torres Gêmeas em 2001. Os Estados Unidos também acusam o país de proteger terroristas talibãs que tentam desestabilizar o governo afegão, algo que o Paquistão nega.

Em agosto, Trump anunciou uma nova estratégia para o sudeste asiático, focada em eliminar o terrorismo no Afeganistão e no Paquistão. A estratégia mira as armas nucleares do Paquistão, as quais os norte-americanos temem que possam cair nas mãos de terroristas.

Os talibãs reagiram à nova estratégia, ameaçando transformar o Afeganistão em um “cemitério” de soldados norte-americanos.

Os líderes do Afeganistão se mostraram otimistas e aplaudiram o empenho de Trump em combater o terrorismo na região.

“Agradeço ao presidente Trump e ao povo norte-americano por esta confirmação de apoio aos nossos esforços em sermos independentes e por nossos esforços conjuntos para libertar a região da ameaça do terrorismo”, disse o presidente afegão Ashraf Ghani, em uma declaração feita após o discurso de Trump.

Os Estados Unidos têm tentado eliminar todas as organizações terroristas dentro das fronteiras paquistanesas que desestabilizam a região, não apenas aquelas que representam uma ameaça para o governo paquistanês.

Várias semanas após a vitória do partido do primeiro-ministro Imran Khan, em julho, o secretário de Estado Mike Pompeo telefonou para desejar-lhe sucesso e exortá-lo a tomar “ações decisivas contra todos os terroristas”. O Paquistão imediatamente disse que não tinha havido nenhuma conversa sobre terrorismo e pediu ao Departamento de Estado que fizesse a correção em sua transcrição da chamada. O Departamento de Estado se recusou.

Em resposta ao pedido do Paquistão, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, disse a jornalistas em 23 de agosto que o Paquistão é um “importante parceiro dos Estados Unidos” e que os Estados Unidos esperam “formar uma boa e produtiva relação de trabalho com o novo governo civil”.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, e o general do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, Joseph Dunford, planejam uma visita à região nos próximos dias, com uma primeira parada na Índia e depois em Islamabad, onde se espera que conversem sobre segurança.

“E também para deixar bem claro o que devemos fazer, todas as nossas nações, ao encontrarmos nosso inimigo em comum, os terroristas”, disse o secretário de Defesa Jim Mattis em 28 de agosto.

O tema do corte de fundos poderia ser um obstáculo, pelo menos quanto ao significado do termo “ajuda”. O Paquistão respondeu à notícia de que os Estados Unidos suspenderiam os Fundos de Apoio à Coalizão dizendo que estava usando seu próprio dinheiro para combater o terrorismo na região.

“Não é um corte da ajuda (norte-americana), não é assistência. Este é o nosso próprio dinheiro, que temos utilizado para melhorar a situação da segurança na região e eles tinham que nos reembolsar”, disse o ministro das relações Exteriores Shah Mehmood Qureshi, em 2 de setembro em Islamabad, de acordo com a Voz da América.

Administrações anteriores tentaram estratégias semelhantes para que o Paquistão atendesse os objetivos de segurança dos Estados Unidos para a região. Mas desta vez seria diferente, já que o novo primeiro-ministro Khan disse que espera ter relações “mutuamente benéficas” com os norte-americanos.

 
 
 

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