Nobel considera revistas Nature, Science e Cell prejudiciais à ciência

O Prêmio Nobel de Medicina de 2013, Randy Schekman, declarou abertamente ser contrário às revistas Nature, Science e Cell, argumentando que as exigências dessas revistas para que os trabalhos sejam publicados estão distorcendo a ciência.

“As exigências prejudicam a ciência assim como grandes prêmios quebram a banca”, escreveu Schekman em uma carta ao jornal The Guardian e publicada na revista Elife em 9 de Dezembro.

“Eu sou um cientista. O meu mundo é um mundo profissional que realiza grandes coisas para a humanidade. Mas ele está distorcido por incentivos inadequados”.

Os cientistas são alvo de diversas exigências por parte das revistas para que se publiquem seus trabalhos. Conforme ele descreve na carta, apesar da divulgação significar maior reputação pessoal e promoção profissional, as revistas, em vez de se preocuparem com a qualidade, “muitas vezes publicam as obras mais chamativas, e não necessariamente as melhores”, disse o acadêmico, que é biólogo celular da Universidade Berkeley, na Califórnia, diretor da revista médica Elife e ex-editor da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O prestigiado cientista queixa-se de que estas revistas não publicam só temas de qualidade, de modo que sua reputação “é apenas parcialmente justificada” por causa dos financiamentos.

“Assim como os estilistas de moda que criam roupas de edição limitada, sabendo que a escassez aumenta a demanda, reduzem artificialmente o número de trabalhos que aceitam. Estas marcas, em seguida, as comercializam com um truque chamado “fator de impacto” – uma pontuação para cada revista, que mede o número de vezes que as suas obras são citadas por pesquisas posteriores. Melhores trabalhos, de acordo com a teoria, são citados com mais frequência, por isso têm melhores revistas com altas pontuações. No entanto, é uma medida profundamente falha”, disse ele.

Neste sentido, Schekman vê que “um estudo pode ser altamente citado porque é uma boa ciência, ou porque é chamativo, provocativo ou ruim.” “Os editores das revistas de luxo sabem disso, aceitando trabalhos que terão grande impacto, já que exploram temas sexuais ou fazem declarações desafiadoras. Isso influencia nas pesquisas que os cientistas realizam. ”

O perigo que ele vê é que, desta forma, revistas como Nature, Science e Cell contribuam para que “os pesquisadores façam as afirmações ousadas que essas revistas querem e, assim, desencorajem outros trabalhos importantes, tais como estudos de replicação”. Através das réplicas, os pesquisadores podem validar e confirmar outros estudos.

Schekman também citou casos extremos em que a qualidade das publicações está decaindo e reafirmou que há um número crescente de trabalhos que são considerados defeituosos e fraudulentos.

Sobre este assunto citou que recentemente a revista Science retratou-se oficialmente por causa de dois artigos sobre células-tronco, que haviam sido apontadas como uma inovação, mas que se descobriu ser uma fraude, reconhecida pelo autor.

Por outro lado, o biólogo recomendou as novas revistas científicas que são de acesso livre e gratuito, já que não buscam compensações onerosas para a publicação dos artigos. Por isso, ele propôs que os financiadores e as universidades não julguem as pesquisas pela revista em que foram publicadas.

“Nascidas na WEB, (essas revistas) podem aceitar todos os documentos que atendam aos padrões de qualidade, sem bloqueios artificiais”, disse Schekman. “É a qualidade da ciência, e não o nome da revista, o que realmente importa. Mais importante de tudo, os cientistas têm de agir”, disse ele.

O editor da revista Elife promove publicações gratuitas com o apoio do Instituto Médico Howard Hughes, da Sociedade Max Planck e da Wellcome Trust.

“Assim como muitos pesquisadores de sucesso, eu já publiquei minhas pesquisas em revistas de renome, como por exemplo a pesquisa que me rendeu o Prêmio Nobel de Medicina. Mas já não publico mais. Eu me comprometi em evitar as revistas de luxo, e incentivo outros a fazerem o mesmo “, concluiu Schekman.

 
 
 

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