O legado trágico dos circassianos em Sochi

Enquanto a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 em Sochi era transmitida, uma tragédia pouco conhecida continuava a ser ignorada: o terrível destino de centenas de milhares de circassianos que habitavam aquela região. Eles foram vítimas de um dos maiores genocídios da história.

A Circássia, um platô fértil na região nordeste do Cáucaso, era localizada no cruzamento da Europa Oriental e da Ásia Ocidental. A região estende-se entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. Historicamente, muitos circassianos consideraram Sochi sua capital tradicional.

A maioria da população de Circássia foi brutalmente expulsa de seu país pelos russos no século XIX. A Guerra Russo-Circassiana terminou em 1864 com a partida e expulsão dos circassianos de seu território nativo no que muitos historiadores consideraram como uma limpeza étnica dos circassianos.

Os eventos que ocorreram foram apropriadamente descritos por Walter Richmond em “O genocídio circassiano“. Richmond escreveu: “A Circássia era uma pequena nação independente na costa nordeste do Mar Negro. Por nenhuma outra razão senão o ódio étnico, depois de centenas de ataques, os russos expulsaram os circassianos de sua terra natal e os deportaram para o Império Otomano. Pelo menos 600 mil pessoas perderam suas vidas pelo massacre, fome e intempéries, enquanto centenas de milhares mais foram forçadas a deixar sua terra natal, tornado os circassianos um dos primeiros povos apátridas da história moderna.”

Perto do fim do conflito, o general russo Yevdokimov recebeu ordens para conduzir os circassianos restantes para fora da região, principalmente para o Império Otomano. Desta forma, os grupos tribais circassianos foram reassentados ou mortos em massa. A guerra de longa duração terminou com a derrota das forças circassianas, e seus líderes assinaram juramentos de lealdade aos vencedores em 2 de junho de 1864.

Desde a derrocada, os descendentes dos falecidos lutam pelo reconhecimento internacional que um genocídio foi cometido contra o povo circassiano. Em maio de 2011, o Parlamento da Geórgia aprovou por unanimidade (95-0) uma declaração de que a Rússia havia realizado genocídio quando se envolveu no massacre contra circassianos no século XIX.

Hoje, os circassianos são encontrados dispersos em vários países, como Turquia, Jordânia, Iraque, Síria, Líbano, Sérvia, Egito e Israel. Eles também são encontrados na Alemanha, Austrália, Holanda e Estados Unidos, em lugares como Nova Jersey e Califórnia. Circassianos que vivem na diáspora têm enfrentado um enorme desafio em seus esforços para manter sua identidade e tradições, preservando viva a memória de sua terra natal.

No que os circassianos étnicos consideraram um insulto à memória de seus antepassados, as instalações dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 em Sochi foram construídas em áreas de grandes valas comuns de circassianos mortos pelos russos. Os protestos se seguiram e o governo russo respondeu com a prisão de oito proeminentes ativistas circassianos.

Apesar das acusações, Vladimir Putin está orgulhoso de que os Jogos ocorreram sem qualquer incidente importante. Ele poderia ter ficado mais orgulhoso se tivesse reconhecido o papel histórico que os circassianos desempenharam naquela região conturbada e respeitado e honrado a sua memória.

Dr. César Chelala é correspondente estrangeiro do “The Middle East Times International” (Austrália)

 
 
 

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