Estilo de urbanização asiático

Trabalhadores numa construção em Manila, Filipinas, em 30 de agosto. (Noel Celis/AFP/Getty Images)

Rápida expansão de cidades asiáticas continuará a trazer problemas e alguns benefícios

WASHINGTON – Cidades asiáticas estão crescendo a uma taxa sem precedentes, como milhões de pessoas migrando para áreas urbanas. Este padrão pode prosseguir por algum tempo, porque grande parte da Ásia não é urbanizada. Acompanhando o crescimento fenomenal está o aumento do crime urbano, a expansão das favelas, a desigualdade crescente e, o mais desafiador, a degradação ambiental, segundo um relatório recente do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD).

Características únicas

De 1980 a 2010, a população urbana da Ásia aumentou em 1 bilhão. Quase metade dos moradores de cidades no planeta vive na Ásia. A região adicionará outro bilhão em suas cidades até 2040, principalmente por causa do crescimento urbano na China, Índia, Paquistão, Indonésia e Bangladesh.

Uma das características únicas desta urbanização maciça é o seu ritmo rápido. Levou 150 anos para a população urbana da Europa crescer de 12 para 51% (1800-1950). América do Norte atingiu a marca de 51% em 1930, levando 105 anos.

A China, por exemplo, passou a marca de 50% em pouco mais de 60 anos, começando em 1950, quando apenas 11% da população residia em cidades.

Mesmo com essa rápida expansão, a região ainda tenta se nivelar. Em 2010, o nível de urbanização da Ásia e do Pacífico foi de 43% em comparação com a média global de 52%. O BAD prevê que a Ásia continuará a crescer suas cidades mais rápido que qualquer outra região.

Outra característica única da urbanização asiática é a alta densidade populacional. Dezessete das 25 cidades mais densas do mundo estão na Ásia e no Pacífico. As três primeiras da lista são Mumbai e Calcutá na Índia e Karachi no Paquistão.

A Ásia também tem a maioria das megacidades, cidades com 10 milhões de habitantes ou mais. Das 23 megacidades do globo, 12 estão na Ásia: Pequim, Dhaka, Deli, Guangzhou, Karachi, Calcutá, Manila, Mumbai, Osaka-Kobe, Shanghai, Shenzhen e Tóquio.

Custo ambiental do crescimento

Este ritmo estonteante de expansão tem um preço para o meio ambiente, segundo o BAD.

“A velocidade rápida da urbanização significa pouco tempo para ajustar ou aprender. […] A alta densidade faz as cidades mais vulneráveis a eventos catastróficos e doenças”, diz o relatório.

Dois terços (67%) das cidades asiáticas não satisfazem o padrão de qualidade do ar da União Europeia para partículas de matéria comparadas com 11% das cidades não-asiáticas. Hoje, mais da metade das cidades mais poluídas do mundo estão na Ásia.

O crescimento das emissões per capita de CO2 entre 2000 e 2008 na Ásia foi de 97%, mais de cinco vezes o crescimento de 18% fora da Ásia.

Se este cenário continuar descontrolado, as emissões de CO2 chegarão a 10,2 toneladas per capita em 2050, três vezes o nível de 2008, que teria consequências desastrosas para a Ásia e o mundo, disse Wan Guanghua, o principal economista do BAD e um colaborador fundamental do relatório anual do banco, “Indicadores-chave para a Ásia e o Pacífico 2012”, lançado há algumas semanas. Wan Guanghua falou numa discussão sobre a urbanização asiática no Instituto Urbano em Washington, em 30 de agosto.

Essa projeção se baseia na Curva Ambiental de Kuznets (EKC) para a região da Ásia, que representa a relação entre as emissões de CO2 e o produto interno bruto (PIB).

O número de pessoas vulneráveis a inundações também aumentará com maior urbanização. Em 2000, o BAD estimou que 251 milhões de moradores urbanos estivessem em risco de inundação em comparação com 40 milhões na Europa, a próxima região em maior risco. Projeta-se que 410 milhões de asiáticos urbanos estarão em risco de inundação costeira até 2025.

Na discussão, a Dra. Sandra Rosenbloom, a líder do programa de Inovação em Infraestrutura do Instituto Urbano, disse que a inundação geralmente afeta os pobres muito mais em termos de terem de desocupar sua casa e terem um lugar para viver quando retornarem. Este impacto diferencial é o que aconteceu nos Estados Unidos, quando ocorreu o Katrina, observou ela.

Lado Positivo da Urbanização

No entanto, a urbanização da Ásia não é totalmente negativa e pode ser um desenvolvimento positivo para o meio ambiente. “Nós vemos os benefícios da urbanização”, disse Wan Guanghua.

Com a urbanização vem o desenvolvimento do setor de serviços, que geralmente polui menos do que a manufatura. As indústrias tendem a se deslocarem do centro das cidades para zonas industriais, onde a terra é mais barata.

A urbanização pode fornecer serviços essenciais de forma mais eficiente, como água encanada, saneamento básico e tratamento de resíduos sólidos. A urbanização leva a menores taxas de natalidade, habitantes mais educados, crescimento da classe média, mais renda e mais suporte para novas tecnologias e energias renováveis.

A Ásia, como um retardatário, pode se beneficiar da pesquisa e desenvolvimento (P&D) e da tecnologia já desenvolvidas no Ocidente, disse Wan Guanghua. O relatório apontou sinais de esperança sobre a EKC; que o modelo de urbanização, as partículas de matéria e o CO2 estão alcançando seu pico mais cedo e declinando mais acentuadamente na última década, em comparação com a década de 1990.

Outros conferencistas foram mais cautelosos em seu otimismo. Nancy Convard, uma engenheira ambiental que esteve no BAD por sete anos, levantou muitas questões sobre a implementação do planejamento urbano elogiado no relatório.

Por exemplo, quando uma classe média urbana se desenvolve e está buscando melhorias na habitação, ela disse que o desafio é fazer isso de forma que a habitação continue a ser acessível e não resulte em condomínios de luxo e favelas.

Rosenbloom salientou que a equidade precisa ser considerada na construção de infraestrutura.

Por exemplo, ela disse que quando o Banco Mundial e algumas agências de desenvolvimento financiam um sistema de transporte de massa, muitas vezes lhes é dito que isso “mata outros modos de transporte”. Isso tipicamente afeta as mulheres. Frequentemente, mulheres mais pobres não podem tirar proveito do novo sistema de transporte, então, suas opções são reduzidas. Mesmo olhando para Washington DC, ela observou que quando a cidade colocou seu sistema viário, isso pôs fim a uma série de serviços de ônibus.

 
 
 

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