Erupção vulcânica preserva estilo de vida da Roma antiga

PARIS – Em 24 de agosto de 79 d.C., uma erupção vulcânica criou uma “fotografia” instantânea da vida de 20 mil habitantes de Pompeia, perto de Nápoles, Itália. Esta catástrofe, que acredita-se ter matado milhares de pessoas, tornou possível  preservar a forma como os antigos viviam, a vida quotidiana em cada detalhe de forma que pode ser revelada a nós, séculos mais tarde.

“Apesar do caráter trágico o evento foi destinado a ser uma fonte de grande alegria para a posteridade”, Stefano de Caro, professor da Universidade de Nápoles e membro do conselho da exposição, escreveu num comunicado para a exposição.

Desde a sua descoberta em meados do século 18, a cidade de Pompeia inspirou arquitetos, escritores, poetas e artistas. A cidade, sepultada na lava do vulcão Vesúvio, oferece provas da vida diária no Império Romano como nenhuma outra documentação.

No início do ano passado, o Museu Maillol, em Paris, convidou os visitantes para conhecer o estilo de vida desta antiga civilização por um passeio pelas casas recriadas (chamadas de domus). Na sua maioria, datando de um período de tempo que vai desde o último século a.C até o ano 79 d.C, o ano da tragédia,  foram reunidos 200 objetos excepcionais para testemunhar o requinte e modernidade desta civilização.

A história da cidade

Situado perto de Nápoles e perto do vulcão Vesúvio, Pompeia foi construída no século 6 a.C. em uma estrada comercial à beira-mar. Sua terra, oriunda de solo vulcânico, era fértil, e o comércio e cultura das vinhas floresciam.

Populada pelos primeiros Oscans, e depois pelos gregos e etruscos, tornou-se autônoma no século 5 a.C. e, mais tarde, província romana em 88 a.C. Enquanto cidade de médio porte, Pompeia prosperou com suas lojas, templos, termas  e anfiteatros. Conforto, requinte e qualidade estética cabia aos mais ricos, é claro, mas também às classes restantes, cada uma em seu nível – como os cidadãos e escravos emancipados.

Ao contrário de edifícios palacianos de Roma, as dimensões das casas de Pompeia seriam adequadas às pessoas do nosso tempo. Casas em Pompeia eram pequenas e ofereciam todas as comodidades para o conforto: aquecimento central, ligação de esgoto principal, água corrente, sauna, bem como jardins fechados integrados na disposição da casa.

De Caro escreveu que a maior parte do que sabemos sobre a vida cotidiana dos antigos romanos devemos a essas escavações, que foram iniciadas mais de duzentos e cinquenta anos atrás. Esta informação “constitui o ponto de partida da nossa imaginação sobre esta civilização” e reflete-se na ficção como o filme ‘Gladiador’ ou as novelas de Lindsey Davis.

Seguindo um convidado

A exposição propõe uma visita a um domus em Pompeia como se fôssemos um convidado real. Nós seguimos o itinerário de clientes e convidados de honra, recebidos em pessoa no átrio, onde podemos admirar as posses do anfitrião antes de conhecê-lo.

Um cofre feito de ferro e bronze, adornado com grandes felinos, é exibido para que o visitante possa imediatamente estimar a riqueza do proprietário e seu status.

Em seguida, ele contempla os afrescos que retratam um gênio alado, cada casa tem seu espírito protetor. O gênio alado detém uma cornucópia (chifre da abundância), representando os benefícios inesgotáveis e bondade fornecidas pela natureza. Em seus ombros está carregando uma mulher cuja cabeça está rodeado por um halo, levando-a para um mundo celestial.

Perto dali, Dionísio, o deus da videira, do vinho, e da fertilidade, senta em um trono, com uma taça na mão e na outra, o tirso. Uma vez que os habitantes de Pompeia viviam essencialmente do cultivo da vinha, a Dionísio era dado um lugar importante no imaginário da casa.

Os tirso, como na maioria de suas representações com este deus, é decorado com folhas de hera e tem uma pinha na sua parte superior. Esta vara tem o poder de extrair o vinho da terra. Um tigre é retratado aos pés do deus.

O visitante é mantido em reverência diante da beleza do caráter e da harmonia de cores os afrescos”: ouro, verde claro, um tipo de rosa, laranja, e um branco quase transparente se destacam contra um fundo de vermelho terra.

O átrio era uma espécie de hall de entrada ou vestíbulo e proporcionava um efeito refrescante sobre a casa no verão. A água da chuva era coletada em bacias ligadas a uma cisterna subterrânea. A mesa de mármore branco com as pernas talhadas estava lá para receber os objetos expostos pelo anfitrião, bem como para fazer uma declaração sobre a sua posição social.

Em outra área estava o larário, que continha um altar para ofertas e um nicho (recesso ou alcova pequena), apresentando as divindades protetoras da casa: Esculápio, o deus da medicina; Mercúrio, o deus do comércio, e Ísis, a deusa egípcia da boa sorte.

A Culina

O visitante caminha à frente e entra na culina, a cozinha, uma pequena sala, contendo maravilhas, incluindo bandejas de bolo em forma de vieiras, corações, e folhas, peneiras, em que os furos formam padrões de flores delicadas, um jarro de barro no forma de galo, e um par de escalas decoradas com pesos finamente esculpida.

Elegância e beleza não são poupados na cozinha. Pinturas nas paredes não faltam: natureza morta, divindades. Nós também aprendemos sobre condimentos, como o anfitrião era um negociante de garum importante.

Garum é um molho feito com intestinos de peixe e sal. O nosso comerciante ficou famoso com a qualidade das cavalas utilizadas para produzir o molho. O garum era vendido em ânforas de 50 centímetros de altura em forma de garrafas.

O Jardim

Para chegar ao espaço privado da casa, o nosso convidado tem que caminhar por corredores onde as paredes são cobertas com pinturas que descrevem as aventuras de um deus ou uma figura mitológica.

Ele para num dos quartos que abre para o árcade (pórtico) em torno do jardim privado (hortus). Cada casa possuía um espaço integrado verde, que se podia acessar através de várias salas. O tamanho do espaço variava de acordo com a riqueza dos proprietários.

Os hortus podiam simplesmente ter flores, arbustos e ervas aromáticas. Os ricos proprietários tinham magníficos parques com árvores de frutos. Um jardim celeste, elaborado a partir das imagens dos paraísos orientais e mitologia grega, estaria representado em frente ao jardim real.

Ninfas (divindades da água), pavões, e animais fantásticos podiam ser vistos em pinturas de um estilo ilusório que acrescentava riqueza ao jardim com seus nichos de mosaicos, ninfas em forma de fontes, e torneiras fonte em forma de pequenos animais, como golfinhos, sapos e tartarugas.

O desenho para a circulação da água no jardim era tão importante visual como acusticamente.

O Triclinium

Por fim, o convidado é levado para o triclínio, sala de jantar, onde poderia comer em uma posição reclinada em camas e berços, dependendo da importância do hóspede. Este é o lugar onde a intrincada cerimônia relativa ao status social acontece.

A configuração dos participantes segue regras estritas: o anfitrião à direita, os hóspedes importantes no centro, e outros em camas para a esquerda. Toda relação social na sociedade romana foi experimentada através do jantar, a refeição chamada cena, seja ela de natureza familiar ou empresarial.

Este é o lugar onde a decoração mais opulenta na casa poderia ser apreciada: mosaicos cobriam o chão, paredes cobertas de afrescos narrando a vida dos deuses, estátuas, pratos lindos, cabeceiras esculpidas em formas de sátiros e cisnes, e pequenos objetos ornamentais.

Tão distante, mas tão familiar, todos esses objetos coletados sob as cinzas deixam uma impressão profunda sobre o visitante: o refinamento da colher de prata com seu cabo pontudo para a abertura de mariscos, vasos de vidro soprados, cerâmica ou vidro cor-de-pratos, copos de prata com duas alças, e lamparinas em forma de árvores das quais são penduradas lamparinas.

Um vaso pequeno, chamado oinochoe, feito de bronze incrustado com cobre e representando uma cabeça de mulher, testemunha um trabalho extremamente hábil e fino. Esta pequena obra-prima, provavelmente tinha uma função meramente ornamental, sua beleza sublime puramente de prestígio de seu dono. Uma vez que não tinha uma base, não poderia ter contido qualquer líquido.

A lista é ainda mais longa: a exposição continua com banhos, joias e outros tesouros. Um após o outro, esses objetos nos fascinam e nos levam de volta aos primórdios da nossa própria história.

A exibição foi até fevereiro de 2013 no Museu Maillol em Paris.

 
 
 

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