Crimeia: o homem europeu é uma espécie ameaçada

Na última estrofe de “The Battle of Blenheim” (A Batalha de Blenheim), Robert Southey escreveu:

“Mas, afinal, de que nos serviu?” Disse o jovem Peterkin.
“Ora, não sei”, respondeu. “Mas foi uma bela vitória”.

O que realmente importou? O poeta se referia ao triunfo do Duque de Marlborough, “que ganhou essa grande batalha”.

O que me fez lembrar dessa poesia sobre a brevidade da glória e a insensatez da guerra, durante a recente disputa sobre qual bandeira seria hasteada na Crimeia, foi um relatório que chegou há pouco da ONU. O relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2012” projeta o crescimento ou o declínio populacional de todos os países e continentes até 2050.

A Rússia e a Ucrânia estão mais concentradas na crise da Crimeia. Mas ao examinar os números da ONU, parece absurdo que essa disputa possa desencadear uma luta armada. Entre 2012 e 2050, a Ucrânia, com ou sem guerra, irá perder um quarto de sua população. Entre 11 e 12 milhões de ucranianos irão sumir da face da terra, um número muito maior do que a pior das estimativas de mortes ocorridas no terrível Holodomor de 1932-1933.

A Rússia irá perder 22 milhões de pessoas, com suas população ficando abaixo de 121 milhões. Mensalmente, até o ano de 2050, cerca de 50 mil russos irão desaparecer. Alguns demógrafos acreditam que as estimativas da ONU são otimistas. E de fato já tive acesso a projeções muito mais sombrias.

Os que agora alertam que Vladimir Putin está tentando reconstruir a União Soviética talvez devessem explicar como isso será possível se a Rússia irá perder 22 milhões de pessoas, considerando que somente a população das antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Turcomenistão) juntas somam 22 milhões de pessoas. Quantas vezes na história já aconteceu de nações com uma população em decadência invadirem e anexarem países com população em ascensão?

Quando a ONU foi criada em 1945, Stalin queria assentos na Assembleia Geral para todas as 15 repúblicas soviéticas. No fim se contentou com 3 assentos: Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. Esse era o centro da antiga União Soviética. No entanto, as três nações juntas irão perder 35 milhões de pessoas até o meio do século, número comparável às perdas humanas ocorridas nos quatro anos de guerra entre Hitler e Stalin e nas sete décadas de ditadura bolchevique.

O Partido da Guerra americano exige que os EUA enviem ajuda militar e possivelmente tropas à Polônia, aos países bálticos e à Romênia, e que tragam a Ucrânia e a Geórgia para a OTAN. Isso quer dizer que os EUA iriam enfrentar a Rússia para defender todos esses países caso outro confronto como o de 2008 na Geórgia e recentemente na Crimeia acontecesse. Será que isso faz sentido?

De acordo com a ONU, hoje há 6,3 milhões de lituanos, letões e estonianos. E essas três repúblicas Bálticas verão suas populações somadas serem reduzidas em 1 milhão até 2050. De que forma uma guerra entre a Rússia e a OTAN pela Estônia seria bom para o país?

Em março de 1939, a Inglaterra assinou com a Polônia um tratado de defesa, e honrando-o, declarou guerra à Alemanha. Esse foi o fim do império britânico. E que resultado teve a “Boa Guerra” para a Polônia? Sua população de judeus de 3 milhões foi em grande parte aniquilada, e segundo algumas estimativas, 3 milhões de católicos poloneses foram mortos. Depois disso, o país sofreu por quatro décadas com uma ditadura de comissários soviéticos.

O Dia da Vitória na Europa não trouxe vitória para a nação pela qual a Inglaterra entrou na guerra. Atualmente, a população da Polônia está de volta aos 38 milhões. Mas segundo o relatório da ONU, ela ainda deverá perder 4 milhões de pessoas até o meio do século.

Enquanto o Partido da Guerra americano discute sobre onde demarcar a linha vermelha contra a Rússia, a ONU projeta que 10 países em ambos os lados da linha (Rússia, Bielorrússia, países bálticos, Ucrânia, Polônia, Hungria, Romênia e Bulgária) irão juntos perder 50 milhões de pessoas até 2050, e outros 50 milhões até o final do século. A taxa de fecundidade nesses 10 países mal chega a dois terços do necessário para manter a população atual. Incrível. O século que se segue ao fim pacífico da Guerra Fria e à libertação das nações escravas pode testemunhar perdas populacionais na Europa que excedem as das duas guerras mundiais e se equipara às da Peste Negra no século XIV.

O homem europeu é uma espécie ameaçada. Está desaparecendo. Até 2050, a Rússia, a quarta nação mais populosa do mundo em 1950, cairá para o 15º lugar, atrás do Egito e perdendo feio para o Congo e a Tanzânia. A única nação ocidental entre as 14 primeiras será os EUA. Mas a maioria dos americanos até então terá descendência asiática, africana ou latino-americana.

Desde 1914, todos os grandes impérios europeus (Inglaterra, França, Alemanha, Rússia e Itália) desapareceram. Todas as grandes tropas e armadas se dissolveram. Todos estão sendo invadidos e tendo suas populações substituídas pelas mesmas populações da África, Ásia e Oriente Médio que eles subjugaram no passado. E quase todas as populações nativas da Europa estão envelhecendo e morrendo.

“Assim expira o mundo”, escreveu T. S. Eliot, “Não com uma explosão, mas com um suspiro”. Assim como Southney, ele também parece ter acertado.

Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan

Esse conteúdo foi originalmente publicado no blog de Julio Severo 

 
 
 

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