Consumo de cocaína declina pela metade nos EUA, mas maconha cresce

O uso de cocaína caiu drasticamente em todo os Estados Unidos de 2006 a 2010, enquanto a quantidade de maconha consumida aumentou significativamente no mesmo período, segundo um novo relatório.

Estudando o uso ilegal de drogas nacionalmente de 2000 a 2010, pesquisadores descobriram que a quantidade de maconha consumida pelos americanos aumentou em mais de 30% de 2006 a 2010, enquanto o consumo de cocaína caiu pela metade. Enquanto isso, o consumo de heroína permaneceu estável ao longo da década.

O consumo de metanfetamina aumentou drasticamente na primeira metade da década e, em seguida, diminuiu, mas os pesquisadores não tinham informações suficientes para fazer uma estimativa credível de uso da droga em 2008-2010. Os resultados vêm de um relatório compilado para o Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas da Casa Branca por pesquisadores afiliados ao Centro de Pesquisa de Política de Drogas (CPPD) da RAND.

“Ter estimativas credíveis sobre o número de usuários de drogas pesadas e quanto gastam é fundamental para avaliar políticas, tomar decisões sobre o financiamento de tratamentos e compreender as receitas de drogas que vão para as organizações criminosas”, disse Beau Kilmer, autor principal do estudo e codiretor do CPPD-RAND. “Este trabalho sintetiza informações de várias fontes para apresentar as melhores estimativas até o momento sobre o consumo de drogas ilícitas e os gastos nos Estados Unidos.”

Como o projeto só gerou estimativas até 2010, os pesquisadores dizem que o relatório não aborda o recente aumento relatado no consumo de heroína ou as consequências da legalização da maconha no Colorado e Washington. O relatório também não tenta explicar as causas por trás das mudanças no consumo de drogas ou avaliar a eficácia das estratégias de controle de drogas.

O estudo, publicado no website do Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas, fornece estimativas da quantidade de cocaína, heroína, maconha e metanfetamina usadas a cada ano entre 2000 e 2010. O estudo inclui estimativas de gastos no varejo de drogas ilícitas e do número de usuários crônicos, que representam a maioria do consumo de drogas.

Os pesquisadores dizem que os usuários de drogas nos Estados Unidos gastaram cerca de US$ 100 bilhões anualmente em cocaína, heroína, maconha e metanfetamina ao longo da década. Embora a volume permanecesse estável de 2000 a 2010, os gastos mudaram. Embora muito mais tenha sido gasto em cocaína do que em maconha em 2000, o oposto era verdade em 2010.

“Nossa análise mostra que os americanos provavelmente gastaram mais de US$ 1 trilhão em cocaína, heroína, maconha e metanfetamina entre 2000 e 2010”, disse Kilmer. O aumento no consumo de maconha parece estar relacionado a um aumento no número de pessoas que relataram o uso da droga numa base diária ou quase diária.

As estimativas para a maconha estão enraizadas na Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde, que examina cerca de 70 mil pessoas a cada ano. As estimativas para a cocaína, heroína e metanfetamina são em grande parte baseadas em informações do Programa de Monitoramento de Detidos Usuários de Drogas (ADAM, na sigla em inglês). As estimativas finais também incorporaram informações de outras fontes de dados

No entanto, uma vez que o governo federal suspendeu recentemente o financiamento para o ADAM, os pesquisadores dizem que será consideravelmente mais difícil controlar o abuso de cocaína, heroína e metanfetamina no futuro.

“O programa ADAM fornece uma visão única sobre aqueles que abusaram de drogas pesadas e quanto eles gastaram com essas substâncias”, disse Jonathan Caulkins, um coautor do estudo e professor de Pesquisa Operacional e Políticas Públicas da Universidade Carnegie Mellon. “É uma tragédia que 2013 tenha sido o último ano do ADAM. Este é um sistema de dados importante para a compreensão do problema das drogas.”

Para melhorar as estimativas futuras, o relatório recomenda investimentos em programas como o ADAM que coletam dados detalhados de usuários pesados. Ele também recomenda que as agências federais revejam algumas das questões em pesquisas existentes de autorrelatos.

O estudo, “O que os usuários da América gastam em drogas ilegais, 2000-2010”, pode ser encontrado no website do Escritório da Cada Branca. Outros autores do relatório são Susan Everingham, Greg Midgette, Rosalie Pacula, Rachel Burns, Bing Han e Russell Lundberg, todos da RAND, e Peter Reuter, da Universidade de Maryland.

Desde 1989, o CPPD-RAND realiza pesquisas para ajudar os formuladores de políticas nos Estados Unidos e em todo o mundo a abordarem questões envolvendo álcool e outras drogas. Com este trabalho, o centro tem uma perspectiva objetiva e orientada na produção de dados para uma arena política muitas vezes emocional e turbulenta.

 
 
 

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