Consulado chinês tenta cancelar espetáculo do Shen Yun na Espanha

Consulado chinês tenta cancelar espetáculo do Shen Yun na Espanha

Artistas da companhia de artes Shen Yun se despedem da audiência após sua segunda exibição com casa cheia no Teatro Hamilton Place no Canadá em janeiro de 2013. Recentemente, oficiais chineses na Espanha tentaram sem sucesso impedir um espetáculo do Shen Yun (Evan Ning /Epoch Times)

2014/04/13

Diplomatas chineses em Barcelona, Espanha, tentaram forçar um teatro a cancelar o compromisso assumido com o Shen Yun Performing Arts, uma empresa de dança tradicional chinesa.

El Mundo, o segundo jornal mais amplamente distribuído na Espanha, disse que um diplomata chinês atacou o teatro, e, em seguida, o Ministério das Relações Exteriores, “com a mesma contundência com que seu país proíbe a cultura que julga inconveniente”.

Os funcionários consulares primeiramente pressionaram o Teatro Nacional da Catalunha, e quando falharam, renovaram seu assédio desta vez dirigido aos altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores.

Representantes chineses irritados foram pessoalmente ao teatro e exigiram que o show fosse cancelado, porque “ia contra os interesses do Partido Comunista Chinês”, segundo uma denúncia feita por representantes do Shen Yun, informou El Mundo.

Foi sugerido aos funcionários do Ministério das Relações Exteriores que não impedir o espetáculo “poderia comprometer” as relações entre a Espanha e a China, disse a queixa. Isto “subliminarmente apontou para os investimentos da China em nosso país e para as exportações de produtos espanhóis”, disse El Mundo.

A fim de pressionar seu caso, as autoridades chinesas disseram ao teatro que os artistas do Shen Yun – que se apresentam para audiências de centenas de milhares ao redor do mundo a cada ano – eram “analfabetos e loucos”. Não convencidos pelas súplicas, o teatro de Barcelona se recusou a agir em nome das autoridades comunistas chinesas.

Funcionários do Ministério das Relações Exteriores não confirmaram ou negaram nada, informou El Mundo. “Não nos é permitido fazer mais comentários”, disse uma fonte.

O Shen Yun é uma companhia de dança clássica chinesa bem conhecida que viaja pelo mundo com sua orquestra. Suas performances incluem monges Shaolin, taoístas solitários e divindades celestes que dançam em perfeita harmonia.

Além de explorar a antiga cultura chinesa, o Shen Yun inclui vinhetas contemporâneas da luta do povo chinês pela liberdade de crença sob o regime comunista. O website diz que os artistas do Shen Yun “se inspiraram na disciplina espiritual do Falun Dafa“, que é brutalmente perseguida pelo Partido Comunista Chinês desde 1999.

Representantes do Partido Comunista frequentemente atormentam o Shen Yun onde suas performances estão programadas em todo o mundo, variando suas táticas, dependendo do país. Representações diretas aos teatros nos Estados Unidos são frequentemente ineficazes, mas, em alguns países europeus, diplomatas chineses conseguiram forçar o cancelamento de apresentações do Shen Yun, devido à pressão política.

Um dos apresentadores do Shen Yun, Leeshai Lemish, mantém uma extensa lista desses incidentes no blog “Quem tem medo do Shen Yun? Casos mais comuns incluem funcionários consulares ameaçarem teatros ou enviarem cartas enfurecidas a políticos locais. Em alguns casos, funcionários consulares fizeram telefonemas ameaçadores repetidamente aos cinemas na tentativa de fazê-los cancelar as apresentações.

Carlos Iglesias, um advogado de direitos humanos e representante da organização patrocinadora, a Associação Espanhola do Falun Dafa, disse numa entrevista: “É lamentável que o Partido Comunista Chinês tente decidir que espetáculos podem ser visto ou não pelos cidadãos de um país democrático.”