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Cientistas descobrem misteriosa estrela que reabre suspeitas de “megaestruturas alienígenas” (Vídeo)

Por Epoch Times

Astrônomos que trabalham no telescópio de Atacama, no Chile, descobriram uma estrela cuja estranha alternância de escurecimento e brilho lembra a estrela de Tabby, que pensava-se estar cercada por uma megaestrutura alienígena.

Um avanço nas pesquisas sobre esta estrela, denominada VVV-WIT-07, foi divulgado no portal arXiv.org.

Os astrônomos notaram o objeto celeste enquanto estudavam a área central da Via Láctea, à procura de supernovas e estrelas que de repente se iluminam quando explodem. Os cientistas também dispunham das observações da estrela VVV-WIT-07 realizadas no período entre 2010 e 2018.

Nestes anos, o brilho da estrela aumentou e diminuiu sem um padrão estabelecido, com picos de brilho máximo que atingiram 80%.

Ilustração mostra um hipotético anel desigual de poeira orbitando KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby (NASA/JPL-Caltech)
Ilustração mostra um hipotético anel desigual de poeira orbitando KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby (NASA/JPL-Caltech)

“Não sabemos que tipo de objeto é”, disse o astrônomo Roberto Saito, da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, Brasil. “E isso é interessante”, acrescentou ele, citado pela Science News.

Os cientistas com quem Saito colabora afirmam que a VVV-WIT-07 pode ter algum tipo de detritos em sua órbita que periodicamente bloqueia sua luz. Mas eles afirmaram que precisam fazer mais observações para determinar se esta é a verdadeira causa das flutuações.

O comportamento da estranha estrela se assemelha ao de outra estrela piscante conhecida como Tabby (KIC 8462852), que também apresentou mudanças significativas em sua atenuação de luz de até 22%.

Ilustração mostra uma estrela atrás de um cometa destruído. As observações da incomum estrela KIC 8462852 sugerem que seus incomuns sinais luminosos provavelmente provenham do pó de cometas fragmentados, que bloquearam a luz da estrela quando passaram em 2011 e 2013 (NASA/JPL-Caltech)
Ilustração mostra uma estrela atrás de um cometa destruído. As observações da incomum estrela KIC 8462852 sugerem que seus incomuns sinais luminosos provavelmente provenham do pó de cometas fragmentados, que bloquearam a luz da estrela quando passaram em 2011 e 2013 (NASA/JPL-Caltech)

Entre as teorias que tentaram explicar esse estranho padrão de obscurecimento, existe uma que sugere a existência de uma megaestrutura alienígena girando em torno da estrela.

Mas essa ideia foi descartada quando uma investigação realizada em 2018 apontou que as mudanças de luminosidade na KIC 8462852 eram devidas a partículas de poeira que bloqueavam alguns comprimentos de onda da luz, e não devido ao bloqueio de um objeto gigante.

Existe outra estrela piscante, a J1407, cujo comportamento é mais parecido com o da VVV-WIT-07. Esta estrela fica obscurecida periodicamente em até 95%.

Ela foi descoberta em 2012 pela equipe do astrônomo Eric Mamajek, da Universidade de Rochester, em Nova Iorque. Os astrônomos acreditam que a J1407 hospeda um planeta em sua órbita com um enorme sistema de anéis que periodicamente eclipsa a estrela.

Trinta e sete anéis formados por luas invisíveis cercam o exoplaneta J1407b na ilustração feita por um artista (jpl.nasa.gov)
Trinta e sete anéis formados por luas invisíveis cercam o exoplaneta J1407b na ilustração feita por um artista (jpl.nasa.gov)

Devido a que a VVVV-WIT-07 está localizada no plano da galáxia, a visão da Terra para a estrela é afetada pela poeira, o que dificulta a distinção de detalhes como a distância da estrela e até mesmo que tipo de estrela ela é, ou se é uma estrela jovem e variável, caso em que suas oscilações de luz poderiam ser internas.

“Toda informação que dispomos por enquanto está sobre a mesa”, disse a astrônoma Tabetha Boyajian, da Universidade Estadual de Louisiana Boyajian. “Precisamos de mais dados.”

Saito e seus colegas esperam poder continuar observando a estrela com telescópios maiores, como o telescópio Gemini, de 8,1 metros ou o Atacama Large Millimeter Array, ambos localizados no Chile.