‘China é seu próprio maior inimigo’, diz relatório francês sobre esforços de influência global de Pequim

Por Eva Fu

Apesar dos extensos esforços de Pequim para impor seu próprio modelo autoritário ao mundo livre, seu maior inimigo é a própria China, de acordo com um grupo de estudos afiliado ao governo francês.

Os resultados vêm de um relatório de quase 650 páginas em francês intitulado “Operações de influência chinesa” do Instituto de Pesquisa e Estudos Estratégicos da Escola Militar (IRSEM), órgão independente filiado ao Ministério das Forças Armadas da França.

Pequim está se isolando no cenário mundial depois de assumir uma posição agressiva na frente diplomática nos últimos anos, indicou o relatório divulgado no início desta semana. Esse comportamento provocou um aumento das reações contrárias, mesmo em países que tradicionalmente mantinham relações amistosas com o regime chinês.

As relações da China com o Ocidente deterioraram-se acentuadamente por volta de 2017, de acordo com o documento.

Um exemplo notável é a Suécia, que foi o primeiro país ocidental a estabelecer relações diplomáticas com o regime depois que o Partido Comunista Chinês assumiu o controle da China.

Embora Pequim tenha desfrutado de uma opinião pública relativamente favorável na Suécia, o ponto de inflexão começou com a nomeação de um novo embaixador chinês, Gui Congyou, em 2017, indicou o relatório.

A retórica provocativa de Gui – ameaçando as autoridades suecas de não comparecerem a uma cerimônia de premiação para um dissidente chinês detido, se opondo a reportagens críticas da mídia local sobre a China e pressionando um hotel de Estocolmo a cancelar a celebração do Dia Nacional de Taiwan – foi “desastroso”, disse o autores. O Ministério das Relações Exteriores da Suécia convocou Gui cerca de 40 vezes desde sua chegada em 2017. Os parlamentares do país solicitaram sua expulsão em duas ocasiões. A avaliação pública da China também despencou, já que 80% dos suecos agora têm uma opinião negativa sobre Pequim, em comparação com menos da metade há quatro anos.

Manifestantes erguem faixas e pôsteres enquanto participam de um comício em Sydney, conclamando o governo australiano a boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim em 2022 devido ao recorde de direitos humanos da China em 23 de junho de 2021 (Saeed Khan / AFP via Getty Images)

Na Austrália, onde a China responde por quase um terço de suas receitas de exportação, os ânimos também se voltaram contra o regime comunista.

As sanções comerciais impostas por Pequim a Canberra por convocar uma investigação independente sobre a origem do vírus no ano passado apenas deram à China maior resistência contra sua influência, inclusive na academia. Enquanto isso, a Austrália aprovou uma lei em dezembro de 2020 para colocar obstáculos adicionais às empresas ligadas à China que desejam adquirir ativos australianos.

Cenas semelhantes ocorreram em outros lugares. A África reagiu contra o enorme projeto “Um Cinturão, Uma Rota” da China, criticando essa iniciativa de construção de infraestrutura por esgotar os recursos naturais, poluir a terra e abusar dos trabalhadores.

Um trabalhador chinês transporta materiais para a primeira linha ferroviária ligando a China ao Laos, uma parte importante do projeto “Um Cinturāo, Uma Rota” de Pequim através do Mekong, em Luang Prabang, em 8 de fevereiro de 2020 (AIDAN JONES / AFP via Getty Images)

Por sua vez, o Canadá denunciou a detenção arbitrária de seus cidadãos por Pequim após a prisão da executiva da Huawei, Meng Wanzhou, um movimento que os críticos chamaram de diplomacia de reféns. A repressão do regime às liberdades em Hong Kong enfureceu o Reino Unido, e seus flagrantes abusos aos direitos humanos em Xinjiang fizeram com que a imagem de Pequim afundasse ainda mais entre as democracias ocidentais.

O relatório observa que, em fevereiro, seis Estados da Europa Central e Oriental na tão adiada cúpula “17 + 1” com a China optaram por enviar um representante de nível inferior em vez de seu chefe de Estado usual, o que indica uma “perda de interesse” no envolvimento com Pequim, que provavelmente tem a ver com a imagem manchada do regime, segundo o relatório. O bloco sitiado foi reduzido ainda mais em maio, depois que a Lituânia se retirou do grupo.

Os autores disseram esperar que o relatório sirva como um alerta aos líderes de Pequim sobre as consequências de suas ações.

O “comportamento contraproducente” que Pequim adotou nos últimos anos “representa um problema de impopularidade para a China de tais proporções que, em última instância, poderia enfraquecer indiretamente o Partido, mesmo diante de sua própria população”, observaram os autores.

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